Dólar roça os R$ 4 e BC age

O clima de nervosismo que ronda o mercado financeiro desde a crise dos caminhoneiros, quando ficou exposta a fragilidade do governo Temer, ganhou nova escalada ontem com o irresponsável e especulativo Twitter do ex-gestor do fundo Pimco e principal assessor econômico da Allianz, Mohamed El-Erian: “depois de Argentina e Turquia, o Brasil será o próximo a enfrentar um distúrbio no mercado de câmbio”. A mensagem jogou gasolina na fogueira. Foi interpretada como senha para um aumento extraordinário da taxa Selic (6,50% ao ano), e dólar atingiu a máxima de R$ 3,9674, roçando a marca psicológica de R$ 4,00. A Turquia, de fato, aumentou ontem os juros básicos de 16,50% para 17,75% ao ano e a Índia, elevou terça-feira, de 6% para 6,25% ao ano. O Ibovespa chegou a cair 6%, com forte queda das principais ações antes da hora do almoço. O Ibovespa fechou em baixa de 2,98% e o valor de mercado das empresas negociadas depreciou R$ 57 bilhões. 

Foi o bastante para levar o Banco Central a atuar pesado para dar liquidez ao mercado com dois leilões de swap cambial, no total de US$ 2,75 bilhões. No fim da tarde o dólar enfraqueceu e fechou a R$ 3,9146. O que acumula alta de 18,34% no dólar este ano e desvalorização de 15,5% do real. Após o encerramento do mercado, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, ao lado de toda a diretoria desfez, um a um, os boatos que circularam durante o dia. 

Primeiro, reiterou, “o Brasil tem US$ 380 bilhões de dólares em reservas e fundamentos sólidos nas contas externas”. Como prova do cacife do BC para debelar especulações no câmbio, disse que o BC irá “ofertar até US$ 20 bilhões de swaps cambiais até a semana que vem”. E descartou qualquer possibilidade de aumento de juros em reunião extraordinária do Copom (os oito diretores estavam na coletiva). “A próxima reunião será no intervalo de 45 dias”, garantiu (19 e 20 de junho, após a reunião do FOMC, o comitê do BC americano, que deve aumentar os juros em 0,25 p.p.). 

O acerto da Argentina com o FMI, deve acalmar o mercado, acredita o engenheiro e Doutor em Economia, Manuel Jeremias Caldas. Para ele, não há paralelo entre 2002 e 2018, mesmo com a incerteza do cenário eleitoral. Naquela ocasião “o Brasil tinha crise cambial, poucas reservas e as exportações não produziam salto, como os mais de R$ 60 bilhões anuais de hoje”. Caldas inflacionou o dólar que chegou a R$ 4 em outubro de 2002. Pelo IPCA, a inflação brasileira, aqueta taxa roçaria os R$ 9,50/10, contra os R$ 3,9146 de ontem. Em dezembro de 2016, quando se discutia o impeachment de Dilma, a moeda rompeu os R$ 4,00, portanto valores maiores que os atuais.