Leilão do pré-sal tem ágio de 202,3%

Arrecadação ficou em R$ 3,15 bi. Onze das 16 empresas habilitadas fizeram propostas

O dia não foi de grandes resultados para a Petrobras na 4ª rodada de licitações do pré-sal, que foi realizado nesta quinta-feira (7), em um hotel da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Os consórcios liderados pela empresa só arremataram uma das quatro áreas ofertadas, justamente aquela na qual a empresa apostou menos fichas. Na disputa por Uirapuru, a área mais valiosa da rodada, a investida da estatal ficou apenas 3,04 pontos percentuais abaixo do grupo vencedor. Ainda assim, protegida pela legislação, a empresa vai exercer seu direito de participação de 30% em três dos campos (Uirapuru, Dois Irmãos e Três Marias). O ágio médio final da rodada foi de 202,3% e só não foi maior porque Itaimbezinho ficou sem oferta. No final, 11 das 16 empresas habilitadas para o leilão fizeram propostas. A arrecadação com bônus de assinatura, valor pago na celebração de contratos, ficou em R$ 3,15 bilhões.

O diretor geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Décio Oddone, comemorou o resultado. “Hoje, mais uma vez, ficou provado que o regime de partilha é exitoso. A expectativa do governo sempre é que a União fique com 75% do lucro das operações. Com o ágio de hoje, a população brasileira vai se apropriar de mais de 90% da produção. Na prática, são R$ 40 bilhões a mais do que o esperado para governo, estado e municípios nos próximos 30 anos”. Do lado de fora, contudo, ativistas protestaram contra o leilão.

Primeira área a ser leiloada, o campo de Uirapuru foi arrematado pelo consórcio formado por três petroleiras estrangeiras, a  norueguesa Statoil (28%), a americana ExxonMobil (28%) e a portuguesa Petrogral (14%). As empresas ofereceram 75,49% do óleo lucro à União, batendo outras quatro ofertas, inclusive àquela oferecida pelo consórcio liderado pela Petrobras, que propunha um pouco menos 72,45% do excedente. Ainda assim, a estatal entrará no negócio junto ao grupo vencedor. Nesse caso, a oferta vencedora teve um ágio de 240,35% frente ao mínimo exigido pelo edital (22,18%), o que atesta as expectativas do mercado sobre o potencial de produção de Uirapuru, a estrutura mais promissora da rodada.

Dois Irmãos, a segunda área leiloada recebeu apenas uma proposta. Desta vez, o consórico liderado pela Petrobrás (45%) junto à norueguesa Statoil (25%) e a inglesa BP (30%) levou o campo de maior extensão da rodada com a oferta mínima prevista no edital: 16,43%.  Além desse percentual de produção, a ser repassado ao governo no futuro, serão pagos R$ 400 milhões em bônus de assinatura no curto prazo.

Com relação a Três Marias, a terceira área a ser negociada, foi imposta nova derrota ao plano de negócios da Petrobras. A proposta do consórcio encabeçado pela estatal, 18% de óleo lucro à União, ficou bem abaixo dos 49,95% proposto pelo consórcio formado pela anglo-holandesa Shell e a americana Chevron. Mais uma vez, a Petrobras participará com 30% do negócio, participação igual a da Chevron. Liderando o conjunto, a Shell fica com 40% do negócio. Com o resultado, o governo ainda leva R$ 100 milhões na assinatura do contrato, nos próximos dias. Itaimbezinho, o menor dos quatro campos ofertados,não recebeu oferta. 

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