Ibovespa tem pregão de volatilidade e fecha em queda de 2,98%

O pregão da Bolsa brasileira teve nesta quinta-feira, 7, momentos ainda mais tensos e de maior volatilidade que os vistos nos dias da greve dos caminhoneiros, levando em conta as incertezas dos cenários eleitoral, econômico e fiscal. Com um movimento expressivo de saída de recursos do mercado, o Índice Bovespa terminou o dia em queda de 2,98%, aos 73.851,46 pontos. No auge do nervosismo, o índice chegou a tombar 6,51%, oscilando no patamar dos 71 mil pontos. O volume de negócios somou R$ 20 bilhões, bem acima da média dos últimos dias, e foi outra evidência do movimento de fuga do risco.

Apesar da ausência de notícia específica que justificasse mais uma rodada de estresse no mercado, as persistentes altas do dólar e dos juros futuros alimentaram mais o clima de especulação. Apostas em um possível aumento da taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) continuaram a crescer, reforçando o cenário negativo para empresas com ações em Bolsa.

"É um momento ruim, consequência do que vem acontecendo nos últimos dias. A percepção é de um cenário muito complicado à frente, com problemas acumulados para o próximo presidente resolver", disse Mário Mariante, chefe de análises da Planner Corretora.

Mariante cita a deterioração do cenário econômico desde a greve dos caminhoneiros, que revelou inabilidade do governo para lidar com a situação e deverá ter efeitos negativos na produção das empresas e na inflação, entre outros desdobramentos. Apesar do ambiente de intensa volatilidade, o analista não vê exagero nas reações do mercado. "Pelos fatores negativos, há razão para o investidor ficar com o pé atrás", disse o profissional.

A queda de hoje foi a terceira consecutiva do Ibovespa, acumulando perdas de 6,04% nesse período. No acumulado do ano, o indicador tem perda de 3,34%. Desde 26 de fevereiro, quando o índice teve sua melhor marca em 2018 (87.652 pontos), a queda acumulada é de 15,75%.

Na análise por ações, as quedas mais agressivas ficaram com as do setor financeiro, tendo B3 ON (-6,59%), Santander (-5,41%) e Banco do Brasil ON (-4,01%) entre as principais. Petrobras ON e PN perderam 1,82% e 3,49%, respectivamente. Apenas três papéis escaparam das perdas. Beneficiada pelas receitas em dólar, Embraer ON subiu 1,94%.