Após três altas seguidas, dólar tem dia volátil e recua para R$ 3,7303

Após três dias de alta, o dólar teve nesta terça-feira, 29, uma sessão volátil no Brasil, em meio aos desdobramentos da greve dos caminhoneiros, que chegou ao nono dia, e ao fortalecimento da moeda dos Estados Unidos no exterior, por conta da piora do cenário político na Itália e Espanha e renovadas preocupações com a disputa comercial entre a Casa Branca e Pequim. A moeda terminou o dia em R$ 3,7303, com leve queda de 0,08%. O dólar futuro, no contrato de junho, subia 0,03%, a R$ 3,7370, às 17h20. O volume de negócios no mercado à vista somou US$ 2,003 bilhões, o dobro de ontem, e no mercado futuro estava em US$ 23,4 bilhões.

No começo da tarde, a moeda norte-americana oscilou perto da estabilidade, acelerou a alta em seguida, influenciada pelo aumento da aversão ao risco no exterior, mas perdeu força perto do fechamento. Pela manhã, a moeda havia mostrado descolamento do exterior e a disputa em torno da taxa Ptax de fim de mês deixou a divisa mais volátil. O dólar à vista chegou a bater logo na manhã desta terça-feira em R$ 3,77, maior nível em uma semana, e na mínima, caiu para R$ 3,71, também pela manhã.

No mercado doméstico, operadores de câmbio dizem que persistem as dúvidas sobre as consequências da greve dos caminhoneiros na atividade econômica. A distribuição de combustíveis começou a ocorrer, mas a situação está longe de se normalizar. Nesta quarta-feira, 30, começa a paralisação dos petroleiros e prossegue o temor de que outras setores também entrem em greve ou sejam ainda mais afetados pelas paralisações. "A greve dos caminhoneiros está sendo disruptiva para toda a economia", afirmam os estrategistas do banco de investimento Brown Brothers Harriman (BBH). Os analistas destacam que o real é uma das moedas dos emergentes que estão mais pressionadas nos últimos dias e a tendência é que continue sob pressão pela frente, junto com as divisas da Turquia e da África do Sul.

"A greve mostrou fragilidade do governo", afirma o operador de câmbio da Fair Corretora Hideaki Iha. Para ele, o Banco Central está sendo tímido no câmbio e o mercado pode testar novas máximas. "O BC precisa surpreender o mercado e dar liquidez", disse ele, defendendo, por exemplo, atuações pontuais da instituição. Ele ressalta que só assim a moeda norte-americana pode cair para patamares menores, na casa dos R$ 3,50 a R$ 3,60. Níveis abaixo de R$ 3,50 só se aparecer um fato novo, como um candidato com perfil reformista e pró-mercado ganhar espaço nas pesquisas de intenção de voto, disse Iha.