Desemprego: 27,7 milhões de brasileiros estão sem trabalho

No primeiro trimestre de 2018, 27,7 milhões de pessoas estavam desempregadas ou trabalhando menos do que poderiam ou gostariam, informou o IBGE) O número equivale a um quarto da força de trabalho do país. Com isso, a “taxa composta de subutilização da força de trabalho” ficou em 24,7% (quase o dobro da taxa de desemprego, de 13,1%), nível recorde da série histórica do IBGE, iniciada em 2012.

Segundo economistas, a alta nesse indicador confirma a precariedade da melhora do mercado de trabalho. Ela é marcada pelo crescimento de ocupações associadas à informalidade, como trabalho por conta própria e emprego sem carteira assinada. 

“Quando pegamos as medidas completas, isso mostra que a queda na desocupação não é favorável”, afirmou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. “Parte da população que saiu do desemprego foi para o desalento ou continua subocupada.” 

A taxa de subutilização inclui os desempregados, os subocupados (que trabalham menos de 40 horas semanais, mas gostariam e poderiam trabalhar mais) e os desalentados. Esses desistiram de procurar emprego por pelo menos uma das seguintes razões: não conseguiam trabalho adequado; não tinham experiência ou qualificação; eram considerados muito jovens ou idosos para a vaga pleiteada; não havia trabalho na localidade em que residiam.

Segundo o economista João Sabóia, professor do Instituto de Economia da UFRJ, os dados mostram que o mercado de trabalho continua a apresentar dificuldades, por causa da frustração das expectativas de um crescimento econômico mais robusto. “Havia a expectativa de que este ano ia ser bem melhor e isso não está se confirmando”, disse.

O grupo dos desalentados tinha 4,6 milhões de pessoas no primeiro trimestre, montante recorde, segundo o IBGE. Desse total, 2,8 milhões (60,6%) são do Nordeste, principalmente na Bahia (805 mil) e no Maranhão (430 mil). 

Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, chamou atenção para o fato de que 3 milhões de desempregados buscam emprego há mais de dois anos.

Esse contingente representa 22% da população desocupada no primeiro trimestre, que chegou a 13,7 milhões de pessoas. Na comparação com os três primeiros meses de 2017, o total de pessoas desempregadas há mais de dois anos cresceu 4,8%.

“É muita gente. É um desempregado que vai ter dificuldade para voltar ao mercado”, disse Barbosa Filho. Segundo o pesquisador, o desemprego de longa duração deixa o trabalhador desatualizado e pode anular até mesmo pontos positivos de seu currículo, como a experiência.

Além disso, quando o trabalhador fica muito tempo desempregado, aumenta a chance de se tornar desalentado, diz o pesquisador. Segundo o IBGE, no primeiro trimestre de 2014, antes do início da recessão, havia 1,6 milhão de desalentados. De lá cá, o salto foi de 195%. 

Cariocas vão para a informalidade

No Rio de Janeiro, as expectativas positivas em relação a oferta de empregos temporários ligados a temporada de verão, com as festas de fim de ano e o Carnaval, levaram a taxa de desalento para o nível mais baixo do país - 0,8%. Entretanto, os números relativos a desocupação assustam: o estado hoje é líder na Região Sudeste com 15% de desemprego. 

A falta de perspectivas vem jogando o cidadão fluminense para a informalidade. É o caso de Marcelo Vale, camelô que vende artigos de informática na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio. Pedreiro de formação, Marcelo começou no comércio ambulante há cerca de um mês. Seu último trabalho com carteira assinada foi em 2013. Desde lá, fez serviços temporários em obras ou trabalhando por conta própria. “Está difícil para quem quer trabalhar. Falta oportunidade, diz ele.