Lucro dos bancos cresce 14,2% no primeiro trimestre de 2018

Encerrado o período de divulgação obrigatória dos balanços trimestrais das empresas de capital aberto, a consultoria Economática concluiu que o lucro de 290 empresas de capital aberto no primeiro trimestre totalizou R$ 50,82 bilhões, indicando alta de 7,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, de R$ 47,31 bilhões.

Pelos cálculos da consultoria, o setor de bancos liderou os ganhos e Petrobras foi a mais lucrativa. 

O crescimento, acrescenta a Economática, poderia ser maior, se a Eletrobras não fizesse parte da amostra (em 2017, a estatal lucrou R$ 1,3 bilhões no primeiro trimestre e agora apenas R$ 3,1,8 milhões. Sem a Eletrobras, as empresas de capital aberto teriam lucrado 10,6% mais no primeiro trimestre no comparativo anual. 

Só que a Petrobras, a mais lucrativa em 2018, com R$ 6,961 bilhões (á frente dos R$ 6,289 bilhões do Itaú Unibanco) teve prejuízo de R$ 5,477 bilhões no primeiro trimestre de 2017. Pouca diferença de ano para outro.

O setor com maior lucro acumulado no primeiro trimestre de 2018, com 21 instituições, foi o de bancos: os ganhos somados atingiram R$ 17,6 bilhões, crescimento de R$ 2,185 bilhões ou 14,2%. Ou seja, um aumento quase o dobro da variação da de 7,42% das empresas. O lucro dos bancos seria maior se incluísse os ganhos da Caixa. Mas, como a empresa não é uma S.A., não apresentou os números.

Para o diretor da Sabe, Luiz Guilherme Dias, além dos juros altíssimos que inibem o consumo, mantêm a economia com freio puxado, como confirmam dos dados do IBC-Br do primeiro trimestre, e oneram os custos das empresas, os bancos “ainda têm ganhos extras com os fortes aumentos reais das receitas de tarifas, que cobrem praticamente as folhas salariais das instituições financeiras”.

O economista lembra que “o Itaú corre muito menos riscos do que uma empresa do porte do grupo Gerdau”.

A terceira empresa mais lucrativa foi a Vale, com ganho de R$ 5,112 bilhões no trimestre, à frente dos R$ 4,44 bilhões do Bradesco. 

Dos 26 setores analisados somente construção informou prejuízo no período, de R$ 482,9 milhões. O resultado, porém, foi inferior ao prejuízo de R$ 489,3 milhões informado no primeiro trimestre de 2017.

Luiz Guilherme Dias lembra que com os juros bancários mais baixos o desempenho das empresas poderia ser melhor, e atrair os investidores rentistas para aplicações de risco em ações. É que as taxas básicas de aplicação nos bancos (como a dos fundos DIs) são baixas, pois acompanham a Selic, e têm ganhos líquidos quase iguais aos das taxas de administração dos bancos.