Mercado paralelo de câmbio no Brasil gira R$ 13 bilhões por dia

O mercado de câmbio paralelo no Brasil, que movimenta pouco mais de R$ 13 bilhões/dia, não se limita à troca manual de dólar, euros e outras moedas em casas de câmbio. Ontem, a decisão do Banco Central de vender 8.900 mil contratos de swap (troca de dólar futuro com juros pré-fixado) provocou queda de 0,56% no câmbio oficial para a faixa perto de R$ 3,5293. Em casas de câmbio, como a PM Turismo na Avenida Rio Branco, o público ignorava a operação  “Câmbio, desligo”, com o dólar comprado a R$ 3,52 e vendido a R$ 3,67, à tarde. O mercado de câmbio paralelo existiria antes da vinda da Coroa Portuguesa. Mas ganhou grande vulto nos anos 1980, na crise da dívida externa. A disparada do dólar paralelo era um sintoma de febre. 

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No JB, chefiava a editoria da Economia. O czar da Economia, Delfim Neto, desdenhava do câmbio como indicador confiável. Aí, uma jovem economista, Clarisse Pechmann, apresentou tese de mestrado na FGV-Rio sobre o câmbio paralelo. O saudoso repórter Bruno Cartier, foi escalado para cobrir. Clarisse ganhou o diploma e a fama de uma das maiores especialistas em câmbio no país. Na década de 90, separada, passou a assinar Clarisse Messer. Os negócios outrora comandados por Mordiko Messer, agora complicam a vida de Dario Messer. A investigação tem vários novelos. Um deles foi retomado em 3 março de 2017, com a prisão de Vinicius Claret, o Juca Bala, no Uruguai. Mas a PF também tem em mãos dossiê entregue  em novembro de 2015 por ex-amante de Dario. Estão citados como clientes do doleiro grandes empresários do Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul, artistas, jogadores de futebol e agentes esportivos. 

A comunidade judaica, da qual a família Messer faz parte, também se faz presente, inclusive com a citação de rabinos. Fazer negócios com doleiros ou trocar dólares em casa de câmbio não é irregular. Mas o Banco Central regulamentou há mais de uma década a compra regular de moeda estrangeira em banco, sem necessidade de apresentar passagem para o exterior. Por isso, é estranha a preferência por operações de monta que não deixam recibo no paralelo. 

A lista dos pedidos de prisão preventiva pedida pelo Juiz Marcelo Bretas, da 7 ª Vara Federal Criminal é a seguinte: Dario Messer, Marcelo Rzesinski, Roberto Rzezinski, Claudia Mitiko Ebihara, Ligia Martins Lopes da Silva, Carlos Alberto Lopes Caetano, Sergio Mizharay, Carlos Eduardo Caminha Garibe, Ernesto Matalon, Marco Ernest Matalon, Patrícia Matalon, Bella Kayreh Skinazi, Chaaya Moghraabi, Marcelo   Fonseca de Camargo, Paulo Sérgio Vaz de Arruda, Roberta Prata Zvinakevicius, Francisco Araújo Costa Junior, Afonso Fábio Barbosa, Paulo Aramis Albernaz Cordeiro, Antonio Cláudio Albernaz Cordeiro, Athos Rubens Alberrnaz Cordeiro, Suzana Marcon, Carmem Regina Albernnaz Cordeiro, Cláudia Sá Garcia de Freitas, Ana Lúcia Sampaio Garcia de Freitas,  Camilo Lelis de Assunção, Alexandre de Souza e Gois, Claudine  Spiero, Michel Spiero, Richar Andrew de Mol. Van Otterloo, Raul Henrique Srour, Marco Antonio Cursini , Nei Seda, Renê Maria Loeb, Alexandre Monteiro Henrice e Henri Joseph.

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