Live Nation compra metade do Rock In Rio

Roberto Medina continuará liderando equipe de produção do evento

Há menos de dois meses de sua 19ª edição, em Lisboa, o Rock In Rio teve  a metade de suas ações comprada pela Live Nation Entertainment, gigante americana que lidera o mercado de espetáculos musicais e controla 97 festivais ao redor do globo. Baseada em Los Angeles, a empresa informou que, em 2019, terá participação majoritária no negócio. O grupo de Roberto Medina, no entanto, negou a perda da maioria acionária. Segundo o criador do festival, sua equipe “continuará a administrar todos os aspectos da produção”. 

A empresa californiana adquiriu 50% das ações da companhia que controla o festival, até então pertencentes à SFX Entertainment. Também americana, a SFX se associou a Medina em 2013 e, um ano depois, concluiu a compra de sua fatia por R$ 150 milhões. Hoje, estima-se que as negociações envolvem cifras maiores em função da contínua valorização do festival. Desde então, foram cinco edições, uma delas em Las Vegas (2015). Considerado o festival mais rentável da América Latina, o Rock In Rio estabeleceu um padrão não só em venda de bilheteria antecipada, mas, também, em captação de patrocínios e ações de publicidade. O fato enche os olhos dos investidores, já que a maior parte dos eventos desse tipo vive, essencialmente, da venda de ingressos. 

O valores são mantidos em sigilo, mas o mistério deve durar pouco graças à política de comunicação das finanças da Live Nation, que abre, por lei, os valores de seus negócios para investidores. Formada pelas empresas Ticketmaster, Live Nation Concerts e Live Nation Media & Sponsorship, a companhia lucrou US$ 10,3 bilhões (R$ 36 bilhões) em 2017, um crescimento de 24% com relação ao ano anterior. Só a receita com patrocínios de festivais subiu 20% no último ano e deve aumentar com a incorporação do Rock In Rio. Além do evento brasileiro, a companhia tem participação nos festivais Lollapalooza, Bonnaroo e Austin City Limits, nos Estados Unidos, e nos festivais de Leeds e Reading, na Inglaterra. A mais nova aquisição faz parte dos planos de expansão da gigante para a América do Sul, que começou com a turnê conjunta das bandas Foo Fighters e Queens of the Stone Age, em fevereiro último. 

Antes disso, a Live Nation tocava o mercado brasileiro por meio de intermediárias locais como a Time For Fun (T4F) e a Move Concerts. “Estamos satisfeitos por reunir o maior festival de música do mundo com a maior empresa de entretenimento do planeta”, disse Roberto Medina, que ganha mais um sócio de grande porte na trajetória de 33 anos do festival. Até o empresário Eike Batista já teve participação no negócio. No ano que vem, decisivo para a nova sociedade, o festival volta para casa com uma série de novidades já anunciadas. Uma delas, o Espaço Favela, foi alvo de polêmicas. O palco deve reunir sete artistas oriundos das comunidades cariocas que receberão um cachê de R$ 50 mil. “O Espaço Favela vai trazer o olhar para as comunidades, vai retratar a alegria de seus moradores”, explica Medina em comunicado. 

Questionado pela imprensa se não é problemático representar favelas em um evento cujo bilhete pode custar mais de R$ 400, o empresário afirmou que o valor pode ser parcelado em até oito vezes, o que facilitaria o acesso da população.