China adia revisão de acordos comerciais em meio a tensões com os EUA

Em meio à escalada de tensões comerciais com os Estados Unidos, a China adiou a revisão de acordos que podem abrir caminho para que as empresas americanas Qualcomm e Bain Capital façam aquisições de empresas de semicondutores, afirmaram pessoas relacionadas ao assunto.

O atraso poderia acabar com a aquisição da Qualcomm por US$ 44 bilhões da empresa holandesa de semicondutores NXP Semiconductors NV, um acordo visto como crítico para o futuro da Qualcomm, de acordo com uma fonte. 

A China é o único país que ainda não assinou o acordo, juntamente com a venda de US$ 19 bilhões da unidade de chips da Toshiba para um consórcio liderado pela empresa de private equity americana Bain Capital. Nenhum acordo deve avançar em meio à guerra comercial, disseram as pessoas.

"O processo de revisão é basicamente uma pausa devido á tensão comercial. Nós temos medo disso", disse um funcionário da Toshiba.

Paralisar esses acordos é outro possível ponto de alavancagem para a China, que busca afastar os planos do governo Trump de impor tarifas de até US$ 150 bilhões em produtos chineses em resposta ao que considera práticas comerciais desleais. Pequim negou ter agido de forma inadequada e respondeu com ameaças do que chama de medidas de retaliação "olho por olho", que incluem a imposição de tarifas contra US$ 50 bilhões em importações americanas.

O acordo com a NXP é considerado crítico para a Qualcomm melhorar sua competitividade, expandindo sua linha de semicondutores para incluir chips para a indústria automotiva, segurança e uma variedade de equipamentos conectados, conhecidos como a internet das coisas. Preocupado com o fracasso do acordo, o presidente-executivo da Qualcomm, Steve Mollenkopf, levantou a questão em uma reunião em 27 de março com o vice-presidente da China, Wang Qishan, disseram pessoas com conhecimento do evento.

Wang procurou oferecer algumas garantias, dizendo a Mollenkopf que os reguladores revisariam o acordo por meio de um "processo baseado na ciência" e que a política não teria nada a ver com isso. No entanto, pessoas familiarizadas com o assunto dizem que a Qualcomm, sediada em San Diego, está enfrentando resistência do Ministério do Comércio da China, que indicou que deve buscar mais informações da Qualcomm sobre o acordo com a NXP. Fonte: Dow Jones Newswires.