Taxas futuras de juros sobem após corte de compulsório e com desconforto político

Os juros futuros mostram viés de alta, após abrirem na estabilidade. O ajuste para cima precifica o corte de compulsório anunciado pelo Banco Central, que tende a apagar mais as apostas de corte adicional da Selic depois de maio, segundo profissionais de renda fixa.

Nesta quarta-feira, 28, o BC reduziu as alíquotas de recolhimento dos depósitos compulsórios à vista e de poupança, que terão o impacto de liberar R$ 25,7 bilhões ao Sistema Financeiro Nacional. A alíquota para os depósitos à vista foi reduzida de 40% para 25%. Já a alíquota dos depósitos da poupança foi reduzida de 24,5% para 20% e, no caso da poupança rural, de 21% para 20%.

Analistas consultados pelo Broadcast avaliaram que a medida é positiva e o economista Sérgio Vale, da MB Associados, acredita que pode ter mais efeito no mercado de empréstimos do que para um corte de 0,25 ponto porcentual da Selic.

Ao mesmo tempo, a medida, por ser muito estimulativa, e considerando todo o efeito de queda da Selic que ainda vai entrar na economia, fortalece ainda mais a ideia de que o corte da Selic sinalizado pelo Copom para a reunião de maio seja mesmo o último do ciclo de flexibilização, como já indicado pela ata da reunião da semana passada, na avaliação do sócio-gestor da Flag Asset, Sérgio Goldenstein.

"Tem menos necessidade de atuar via Selic. A barra do BC (para queda em junho) agora ficou altíssima", afirmou.

Há também o desconforto com o cenário político em dia de prisões de amigos do presidente Michel temer feitas pela Polícia Federal e expectativa com o leilão de títulos do Tesouro (11h).

Já o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) não trouxe novidade e os investidores aguardam agora pela coletiva do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn para comentar os dados (11h).

Às 9h37 desta quinta-feira, 29, o DI para janeiro de 2019 estava em 6,24%, de 6,239% no ajuste de quarta. O DI para janeiro de 2020 marcava 7,09%, de 7,08%, enquanto o vencimento para janeiro de 2021 exibia 8,03%, na máxima, de 8,00% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2023 estava em 9,03%, de 9,00% no ajuste anterior.