Dólar recua 0,78% no dia, mas termina março com ganho de quase 2%

Depois de uma semana em trajetória majoritariamente ascendente, o dólar à vista teve correção significativa nesta quinta-feira, 29, favorecido por uma melhora do apetite por risco no exterior. Com os preços das commodities em valorização e as bolsas em alta expressiva, investidores desfizeram posições montadas nos últimos dias e a moeda americana chegou ao final da sessão aos R$ 3,3033, em baixa de 0,78%. Mesmo com a queda no dia, a divisa teve valorização acumulada de 1,91% em março, superior ao 1,58% de ganho obtido em fevereiro.

O dólar já iniciou o dia em queda, em meio à disputa de investidores em torno da última Ptax de março, que servirá como referência na liquidação dos contratos futuros de câmbio que vencem em abril, além de ajustes de outros vencimentos e dos contratos de swap cambial. A Ptax terminou o dia em R$ 3,3238, com baixa de 0,43% no dia, mas alta de 2,43% no mês, que evidenciou vantagem para investidores comprados no mercado futuro. Passado período de formação da Ptax, ganhou força o movimento de desmontagem de posições compradas e o dólar ampliou o ritmo de queda, chegando a registrar mínima intraday de R$ 3,2931 (-1,09%).

"O cenário internacional melhorou bastante, o que acabou contribuindo para o mercado desarmar posições depois da formação da Ptax. E muitos agentes vinham aguardando esse vencimento nos últimos dias para reduzir posições", disse José Carlos Amado, operador da Spinelli Corretora.

O dia também foi marcado pela realização de leilões de linha do Banco Central, que não ocorriam desde dezembro. A autoridade monetária vendeu toda a oferta de US$ 2 bilhões no leilão A, com compromisso de recompra em 3 de maio, com taxa de corte de R$ 3,331672. Com isso, o leilão B, que tinha recompra para 3 de julho, não foi realizado. A oferta teve por objetivo promover a rolagem de parte dos US$ 3,5 bilhões em vencimentos de linha previstos para abril.

No cenário internacional a alta dos preços do petróleo foi fator importante no fortalecimento de moedas de países emergentes e exportadores de commodities. O petróleo avançou após a Baker Hughes ter informado que houve a primeira queda na quantidade de poços e plataformas de petróleo em operação nos Estados Unidos em três semanas.

Para a próxima semana, as atenções se concentrarão principalmente no julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Supremo Tribunal Federal (STF). Lula pede o direito de ser mantido em liberdade até o trânsito em julgado de sua condenação por 12 anos e 1 mês, no caso do tríplex do Guarujá. O evento é considerado decisivo no mercado, com potencial para influenciar cotações, principalmente no caso de o líder petista sair vitorioso em seu recurso.