Em meio à crise, o aumento de produção, a geração de empregos e os ganhos no faturamento foram destaque nesta quinta-feira no Rio de Janeiro, como resultado projeto realizado nos últimos cinco anos, em parceria entre a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, o Sebrae/RJ e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
“É preciso ter coragem para empreender no Brasil. Muita gente discursa a favor do pequeno empresário, mas é preciso que investimentos reais sejam feitos a favor da categoria” afirmou o secretário da Casa Civil e Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio de Janeiro, Christino Áureo, defendendo políticas públicas de desenvolvimento regional como estratégia promover emprego e renda.
Iniciado em 2013, o projeto que envolveu o governo, Sebrae e BID, beneficiou diretamente cerca de 100 micro e pequenas empresas nos setores de confecções e de rochas ornamentais. Mesmo sem terem características em comum os Arranjos Produtivos Locais (APLs) dessas duas cadeias foram escolhidos entre 30 APLs existentes no Estado para serem alvo do projeto, com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico regional. O BID aportou US$ 1 milhão em recursos e o Sebrae/RJ com o Governo Estadual mais R$ 1,5 milhão. O resultado foi conhecido em Seminário promovido para a troca de experiências entre os participantes durante a quarta e a quinta-feira no Rio.
Palestras, cursos de capacitação, incentivos para que os integrantes dessas cadeias participassem de worskhops, feiras e seminários no mundo todo. "Fomos a Milão, conhecemos feiras internacionais em Londres, viajamos o Brasil aprendendo", comentou Claudia Pitanga, que tem uma confecção de biquinis em Cabo Frio. Assim como outros concorrentes locais, ela investiu em inovação, e apostou no e-commerce, como outros 63% dos integrantes do projeto, segundo pesquisa desenvolvida pelo Sebrae, que registraram aumento médio de 10% nas vendas no período, a despeito da crise econômica.
A pesquisa mostrou também que em 2013, 62% das empresas de Cabo Frio faturavam até R$ 300 mil por ano e apenas 20% de R$ 300 mil a R$ 1 milhão. Atualmente, 56,4% ultrapassaram o teto dos R$ 300 mil, sendo que 13% delas romperam a casa de R$ 1 milhão (ante menos de 1% em 2013) e 8,7% arrecadaram mais de R$ 2,4 milhões.
No setor de rochas ornamentais, o ganho mais expressivo foi na legalização das empresas. O setor, que emprega mais de 10 mil pessoas no Noroeste Fluminense, possuía 57 empresas, todas com problemas de legislação (ambiental e trabalhista). Hoje, 30 empresas legalizadas, mais a criação de um sindicato patronal e formalização dos empregos foram os grandes benefícios.
Para o diretor do Sebrae/RJ Evandro Peçanha, a adesão das empresas foi tão boa que o projeto “certamente terá continuidade”. “Não estamos encerrando (o projeto). Na verdade, o fim desta etapa é apenas uma transição. Ainda temos um conjunto de quase 30 APLs, que também precisam ser desenvolvidos e outros Brasil afora em que este projeto pode ser replicado”, afirmou.
Mooola
Como parte do projeto, foi desenvolvida ferramenta mobile, que reunirá informações das empresas e da Câmara de Gestão dos APLs do Estado, abrangendo 18 entidades públicas e privadas que apoiam as cadeias produtivas. Batizado de Mooola, o sistema poderá ser usado no celular, e tem como objetivo impulsionar os negócios, além de catalogar todas as micro e pequenas empresas integrantes dos APLs.
Lançada no seminário, a ferramenta já teve as 14 primeiras empresas inscritas nesta quinta-feira. Com apoio do BID, a ferramenta poderá ser expandida a outros estados e níveis de governo. Para os empresários, o cadastramento no Mooola facilita o acesso a informações sobre instituições de apoio e dá maior relevância nos mecanismos de busca na internet.