'Financial Times': Investimento estrangeiro no Brasil bate recorde

Reportagem diz que em dezembro o montante atingiu  US$ 15,4 bilhões 

Matéria publicada nesta quarta-feira (8) pelo Financial Times conta que quando Hanno Kirner, diretor-executivo de estratégia do Jaguar Land Rover, visitou São Paulo para o recente salão do automóvel da cidade, preferiu evitar preocupações com a economia brasileira. Mesmo que o maior país da América Latina esteja sofrendo de sua pior recessão em mais de um século, levando a uma queda de 20% nas vendas de carros em toda a indústria no ano passado, a montadora de luxo está investindo em uma nova fábrica de 240 milhões de libras que abriu no Rio de Janeiro, no ano passado.

"O Brasil tem uma economia forte e quando acabarem seus problemas, voltará a entrar na disputa econômica", disse Kirner. "Tem recursos, tem uma população jovem e dinâmica. Tem tudo a longo prazo".

> > Financial Times Business bets on Brazil economic rally

Segundo a reportagem a Jaguar Land Rover não é a única. Mesmo com a contração da economia brasileira pelo segundo ano consecutivo em 2016, o investimento direto estrangeiro em dezembro atingiu US $ 15,4 bilhões, um recorde para esse mês, disse o banco central. Isso elevou o investimento direto estrangeiro total para do ano para US$ 78,9 bilhões, um aumento de 6% em 2015.

Times analisa que Isto aconteceu apesar de um desempenho econômico sombrio. Um levantamento de economistas pelo banco central no final de 2016 prevê que a economia tenha contraído 3,49 por cento durante o ano. 

Os economistas dizem que os investidores de longo prazo continuam interessados porque, como uma das maiores economias de mercado emergentes do mundo, o Brasil é muito grande para ser ignorado. Os investidores também estão esperançosos sobre uma nova iniciativa de reforma, sublinhada pelo presidente Michel Temer em uma entrevista com o FT na semana passada, para tratar de questões estruturais de longo prazo, dizem eles.

"Embora a economia brasileira não esteja indo bem, é uma economia tão grande que as empresas não podem se dar ao luxo de ficar fora dela", disse David Beker, economista da Merrill Lynch.

"Estamos encerrando o pior ciclo", disse Marcos Casarin da Oxford Economics.

Casarin prevê um crescimento de 0,4 por cento para 2017, já que a economia sairá de uma longa recessão, fortalecendo-se ainda mais em 2018.

O otimismo sobre o futuro de longo prazo do Brasil também é compartilhado por investidores estratégicos. No final do ano passado, o executivo-chefe da Shell, Ben van Beurden, realizou uma reunião de analistas no Brasil para mostrar os investimentos da empresa em descobertas de petróleo ultra-profundo na costa do Rio, finaliza o Financial Times.