'WSJ': Temendo incertezas da era Trump, emergentes aceleram emissões de dívida

Petrobras vendeu US$ 4 bilhões em títulos de dívida em 9 de janeiro

Matéria publicada nesta quinta-feira (26) pelo The Wall Street Journal conta que os governos de países emergentes estão vendendo dívida em ritmo quase recorde este mês, receosos diante da perspectiva de alta nas taxas de juros nos Estados Unidos e do risco de que as políticas do presidente Donald Trump gerem incertezas para o mundo em desenvolvimento. Os governos desses países já venderam US$ 22,4 bilhões em títulos de dívida em janeiro, ameaçando superar o atual recorde de US$ 28,6 bilhões no primeiro mês de 2014, quando as baixas taxas de juros nos EUA incentivaram a compra de ativos mais arriscados nos mundo em desenvolvimento, de acordo com dados da Dealogic.

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Segundo a reportagem a maioria dessas emissões de dívida foi feita em dólar, ampliando assim a base de investidores ao oferecer títulos com maior liquidez do que os vendidos em moeda local. Mas os títulos de dívida em dólar também representam riscos caso a moeda americana continue se valorizando. Isso faz com que fique mais caro para os governos cumprir suas obrigações quanto ao pagamento dessas dívidas. Até agora, a Argentina foi a maior emissora de dívida no ano, vendendo US$ 7 bilhões em títulos na véspera da posse de Tump, sexta-feira passada. Autoridades da área financeira do governo disseram que a venda dos papéis e um empréstimo bancário de US$ 6 bilhões na semana anterior ajudaram o país a obter cerca de 65% de dívida nova necessária para se financiar ao longo deste ano.

O diário norte-americano afirma que com tantas grandes emissões de dívida chegando ao mercado praticamente de uma vez, os compradores de títulos têm conseguido rendimentos que incluem um prêmio para a dívida já existente dos países, segundo investidores. Até outubro, os investidores globais compraram mais títulos de dívida de mercados emergentes do que venderam, atraídos pelos altos rendimentos oferecidos enquanto as taxas de juros estavam em níveis historicamente baixos no mundo desenvolvido.

Mas o fluxo se reverteu no fim do trimestre, diz o Journal, encerrando o ano com uma saída de US$ 33,8 milhões desse mercado, conforme os investidores começaram a prever taxas de juros mais altas nos EUA. A valorização do dólar no fim do ano também tornou mais caro o pagamento da dívida dos países em desenvolvimento emitida na moeda americana.

O noticiário diz que algumas empresas de mercados emergentes emissoras de títulos de dívida também buscaram esse mercado, como a Petróleo Brasileiro SA, a Petrobras, que vendeu US$ 4 bilhões em títulos de dívida em 9 de janeiro. O diretor-presidente da companhia, Pedro Parente, disse a repórteres que, com a “grande incerteza no mercado com o novo presidente dos EUA”, ele queria que os títulos de dívida fossem vendidos antes da posse de Trump.