'WSJ': Regras internacionais dificultarão reformas de Trump para comércio global

Matéria publicada nesta quarta-feira (25) pelo The Wall Street Journal aponta que para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abandonar a já moribunda Parceria Transpacífico pode ser a parte mais fácil de sua promessa de remodelar as relações comerciais globais e proteger empregos. Confrontar a China e renegociar o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), como o novo presidente prometeu, será mais difícil.

Segundo a reportagem reformular as regras comerciais existentes oferece o risco de prejudicar as empresas americanas que dependem das vendas no Canadá, China e México, os três principais compradores de bens e serviços dos EUA. Além disso, o comércio global está ancorado em regulamentos criados gradualmente desde o fim da Segunda Guerra Mundial, tornando difícil fazer uma mudança de termos sem desencadear um efeito dominó com consequências não desejadas. Isso provavelmente complicará os esforços do governo Trump para arrancar concessões econômicas de parceiros comerciais existentes.

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O Journal lembra que na segunda-feira (23) Trump formalmente desistiu da TPP, matando um acordo comercial proposto entre 12 países cuja aprovação pelo Congresso já era algo que o governo Obama tinha perdido a esperança de ver concretizado. Durante sua campanha, Trump denunciou o pacto como um símbolo de como acordos negociados pelos EUA beneficiam os países com baixos salários no mundo em desenvolvimento, à custa da manufatura americana.

O diário norte-americano acrescenta que para o novo presidente, o próximo passo parece ser a reunião com os líderes do Canadá e México e iniciar uma renegociação do Nafta, o acordo comercial de vinte anos que foi foco de críticas na campanha de 2016. Trump e seus assessores indicaram que querem mudar as regras de origem para a indústria automobilística e talvez outros setores, estabelecer regras que poderiam punir países acusados de manipular suas moedas e lidar com impostos de fronteira, incluindo o imposto sobre valor agregado do México. Segundo o governo Trump, esse IVA cria um desequilíbrio que prejudica os fabricantes americanos.

O noticiário avalia que cada uma dessas metas poderia gerar polêmica dentro dos EUA ou, mais amplamente, no Nafta. Uma batalha entre o México e o Japão sobre as regras de origem dos carros, que ditam onde as peças podem ser obtidas, quase interrompeu as negociações da TPP em 2015. A manipulação cambial dividiu legisladores americanos naquele ano e quase afundou a legislação comercial que deu a Obama — e agora a Trump — uma autoridade maior para promulgar acordos. E os desentendimentos sobre os impostos na fronteira podem levar o governo Trump a um choque com a Organização Mundial do Comércio, dizem advogados.

Mesmo que as negociações em Ottawa e na Cidade do México forem aceleradas, dificilmente o novo Nafta estará pronto em tempo para as eleições parlamentares de 2018, conclui o Wall Street Journal.