'The Wall Street Journal': Visões divergentes ameaçam equipe econômica de Trump

Matéria publicada nesta quarta-feira (11) pelo The Wall Street Journal analisa que Donald Trump está completando uma equipe econômica representada por centros de poder rivais e pontos de vista divergentes que poderiam levar a Casa Branca a direções imprevisíveis enquanto o novo governo tenta dar impulso à economia americana. Vários dos nomeados por Trump reforçam a divisão básica que permeou sua campanha presidencial, com assessores vindos das elites de Washington e Wall Street e defensores das leis de mercado de um lado e adversários do livre comércio do outro.

Segundo a reportagem Trump convidou o economista Peter Navarro, um crítico implacável da política dos Estados Unidos em relação ao comércio e à China, para liderar um novo Conselho Nacional de Comércio. Durante a campanha, Navarro colaborou com frequência com Wilbur Ross Jr., o financista de Nova York escolhido por Trump para secretário de Comércio e que já defendeu uma postura mais agressiva em relação aos parceiros comerciais dos EUA. No outro extremo do espectro, Trump selecionou Gary Cohn, o presidente de longa data do Goldman Sachs Group Inc. e democrata de carteirinha que não é visto como particularmente ideológico, para liderar o Conselho Econômico Nacional. O conselho coordena a elaboração de políticas que regem o Tesouro e os Departamentos de Trabalho, Habitação e Desenvolvimento Urbano, Saúde e Serviços Sociais, bem como órgãos reguladores independentes. Uma estrutura organizacional plana poderia colocar estes e outros indivíduos uns contra os outros à medida que eles comecem a disputar o apoio de Trump. A incerteza em relação à agenda econômica do novo presidente é ampliada pela forma como Trump, que nunca exerceu cargos públicos, tem mudado de ideia em algumas questões de política e fornecido poucos detalhes sobre outros temas.

O Journal afirma que Trump tem dito que quer crescimento mais rápido, uma reforma tributária, políticas comerciais mais duras, a revogação das políticas de saúde pública que marcaram a presidência de Barack Obama, mais gastos com infraestrutura e integridade fiscal, entre outras políticas. Tensões já começam a surgir agora que Trump precisa transformar as promessas de campanha em uma agenda de governo. Trump e outros legisladores republicanos estão manifestando receios do quão rápido poderão colocar na pauta uma revogação da lei de reforma do sistema de saúde pública de Obama, o que poderia aumentar o déficit e deixar milhões de americanos sem seguro médico. O novo governo também pode precisar de bilhões de dólares para garantir a segurança nas fronteiras depois de Trump ter prometido repetidamente que faria o México bancar o custo de novas medidas de segurança.

De acordo com o texto do WSJ membros do gabinete de Trump têm dito que a equipe econômica montada pelo novo presidente durante a campanha colaborou de forma impecável e deu a ele uma ampla gama de pontos de vista que o ajudaram a formatar o modelo de nacionalismo econômico que é sua marca registrada. Funcionários da equipe de transição não responderam a perguntas para este artigo.

A ascensão de ex-executivos do Goldman Sachs também contrasta com os ataques pontuais de Trump ao banco de investimentos durante a campanha, observa o diário de finanças norte-americano. Além de Cohn e Mnuchin, a equipe de transição está considerando Jim Donovan, atual executivo sênior do Goldman, para o cargo de subsecretário de finanças domésticas no Departamento do Tesouro.

Talvez o exemplo mais marcante de idiossincrasia política seja a escolha de Trump para o cargo de diretor do Orçamento, o deputado republicano Mick Mulvaney, comprometido com a defesa de políticas monetárias mais restritivas (com juros mais altos e inflação baixa). Ele tem sido um grande crítico de republicanos que apoiam maiores gastos e, poucas semanas depois das eleições de novembro, demonstrou ceticismo sobre o impulso nos gastos com infraestrutura de Trump, finaliza The Wall Street Journal.