'The Wall Street Journal': Agricultores inovam para se livrar dos mercados globais

Reportagem destaca família que cultiva milho e passou a produzir uísque

Matéria publicada nesta terça-feira (10) conta que ao invés de vender toda a safra recorde de milho colhida no segundo semestre para fábricas de etanol ou para pecuaristas estrangeiros, Jim e Jamie Walters estão destinando parte dela para um produto mais lucrativo: uísque. A família Walters de Illinois está entre um pequeno grupo que busca formas exclusivas para ganhar dinheiro com a safra, em um momento em que o excesso da commodity derruba os preços dos grãos para níveis baixos que não são registrados há muito tempo. Eles esperam que satisfazer uma mudança no comportamento dos consumidores para produtos de alta qualidade feitos localmente traga lucros mais estáveis do que os turbulentos mercados globais de grãos.

Segundo a reportagem os preços dos contratos de milho e trigo negociados na bolsa Chicago Board of Trade despencaram quase 60% desde picos recentes registrados em 2012. A soja caiu 44% durante o mesmo período. Como consequência, a renda agrícola caiu pela metade em relação aos recordes de 2013. Muitos agricultores terão prejuízo este ano, dizem economistas. Desde a Segunda Guerra Mundial, os produtores de grãos buscaram impulsionar os lucros com o aumento da produtividade, reduzindo custos e ampliando suas operações. Equipamentos maiores e mais sofisticados e sementes transgênicas incentivaram uma tendência em direção a fazendas maiores e com capital mais intensivo.

Agora, afirma o Journal, a crescente demanda por alimentos e bebidas produzidos localmente está coincidindo com as preocupações sobre os preços voláteis dos produtos agrícolas, fornecendo uma oportunidade para os agricultores que tentam reduzir a distância entre seus produtos e os consumidores. Em 2012, os agricultores que plantaram em terras férteis no centro do Estado americano de Illinois lucraram cerca de US$ 842 por hectare de milho, segundo economistas agrícolas da Universidade de Illinois. Neste ano, os agricultores devem ter prejuízo de US$ 74 por hectare. Há muito tempo, os laticínios e os pomares já abriram suas portar para turistas ansiosos para comprar queijos artesanais e cidras de maçã direto dos produtores. Os pecuaristas introduziram animais de raça e criados no pasto que entraram para os cardápios dos restaurantes de alto padrão.

O diário norte-americano fala que atualmente, alguns agricultores estão transformando seus grãos em bebida alcoólica e farinha em alimentos produzidos por eles mesmos. Os produtores abriram moinhos em suas fazendas, ou começaram a plantar grãos usados na produção de comidas como tortillas e chips. Westgreen previu que os produtores iriam colocar unir seus investimentos para criar juntos negócios caros diretamente voltados para o consumidor.

Produtores como os Walters ainda são raros, acrescenta o WSJ. O processamento de grãos na fazenda exige um investimento significativo, e o sistema atual de vender as safras para tradings, que fornecem matéria-prima para fábrica de alimentos, pecuaristas e exportadores, permanece uma forma eficiente de venda para muitos agricultores. Cada vez mais, contudo, alguns estão mudando para sementes que não foram modificadas geneticamente, que podem ter um custo de produção menor e atrair consumidores dispostos a pagar um prêmio por alimentos produzidos sem transgênicos. Outros estão entrando na pecuária, construindo aviários e celeiros para engordar animais para produtores maiores em troca de uma renda estável.

Mike Doherty, economista sênior da Agência Agrícola de Illinois, disse que muitos daqueles que estão ansiosos para se afastar dos mercados de commodities são jovens agricultores que estão se unindo ao negócio dos pais durante uma crise.

Tom Hunton construiu um moinho de pedra em sua fazenda no Oregon em 2011 depois da recessão derrubar os preços dos produtos especiais que cultiva, como sementes para grama vendidas para gramados e campos de golfe. Seu Camas Country Mill agora transforma o trigo plantado na fazenda de 1200 hectares em farinha para padarias e restaurantes em Portland e Seattle.

A Whiskey Acres, contudo, já conquistou medalhas de ouro, prata e bronze em concursos internacionais de destilados. Garrafas podem ser encontradas em 300 lojas em Illinois, desde a rede de alimentos naturais Whole Foods Marlet Inc. ao supermercado de desconto Hy-Vee.

Jamie Walter acredita que a Whiskey Acres terá lucro em 2018, quando um maior volume de bourbon envelhecido em barris estará pronto para ser vendido. Enquanto isso, ele está experimentando com variedades de milho e processos de destilação, conclui The Wall Street Journal.