'WSJ': Saída de executivo deve acelerar sucessão no Goldman Sachs

Gary Cohn, que será o principal assessor econômico do governo de Donald Trump

Matéria publicada nesta quarta-feira (14) pelo The Wall Street Journal avalia que a saída do segundo principal executivo do Goldman Sachs Group Inc. — Gary Cohn, que será o principal assessor econômico do governo de Donald Trump — deflagrou uma rodada de manobras na ala executiva do banco, onde a permanência de Lloyd Blankfein por dez anos como diretor-presidente tem deixado a nova geração de executivos ansiosos por oportunidades para subir na hierarquia da empresa.

O Journal destaca que Cohn acumulava os postos de diretor-superintendente e diretor de operações. Suas responsabilidades provavelmente serão divididas entre dois executivos, antecipou o The Wall Street Journal. O Goldman tem um histórico de duplas na gestão — o que, dependendo de seu interlocutor na firma, dirá que seria reflexo de um espírito fraternal de colaboração herdado dos tempos em que o Goldman ainda era uma sociedade privada, ou um embate direto feito para produzir o líder mais apto.

O diário afirma que os candidatos mais cotados, segundo pessoas a par do assunto, são o codiretor do braço de banco de investimento, David Solomon, e o diretor financeiro Harvey Schwartz. Os dois estariam, na prática, disputando o posto de herdeiro de Blankfein.

Uma porta-voz do Goldman se recusou a comentar, embora o banco tenha dito publicamente no passado que tem uma grande reserva de executivos.

Antigo vendedor de títulos de alto risco, que entrou no Goldman em 1999 vindo do banco Bear Stearns, Solomon é respeitado na empresa, ainda que não universalmente amado, dizem pessoas que trabalham ou trabalharam na firma. Com uma voz grave e um estilo de gestão imperial, lidera por decreto e, ocasionalmente, intimidação — e volta e meia bateu de frente com Cohn na direção, dizem pessoas a par do assunto.

Mas Solomon também liderou a campanha para aliviar a carga de trabalho do pessoal mais jovem do banco, o que melhorou a retenção e o moral.

A fama de Solomon vem menos de ser um grande fechador de acordos e mais por ser um forte defensor do cliente — alguém capaz de mobilizar recursos de vários departamentos em benefício do cliente. Sem um setor de especialização, suas relações com clientes gravitaram em torno de magnatas que fizeram fortuna sozinhos — como Aubrey McClendon, empresário do gás natural que morreu este ano, e fundadores de firmas de private equity.

Schwartz, de 52 anos, é diretor financeiro do banco desde 2013, quando substituiu David Viniar, que há muito ocupava o posto. Assim como Blankfein e Cohn, começou na corretagem da firma — embora como vendedor, não como corretor.

Schwartz não tem a formação tradicional de muitos dos executivos do Goldman. Formado na Universidade Rutgers, sua carreira no setor financeiro começou longe da elite do mercado — primeiro na gestora J.B. Hanauer & Co. e, depois, na First Interregional Equity Corp., corretora de títulos municipais que acabou fechando as portas.

Em 1997, Schwartz entrou para a divisão de commodities do Goldman, a mesma na qual começaram Blankfein e Cohn. Foi galgando degraus e dirigiu o setor global de vendas da firma antes de assumir o leme da divisão de valores mobiliários em 2008, quando a crise financeira começava. Nos cinco anos que passou no posto, o braço de corretagem da Goldman foi refreado por novas regulamentações.

Para certas pessoas no banco, Schwartz encarna a moral darwiniana que moveu a mesa de corretagem do Goldman na década passada e foi alvo de críticas na esteira da crise por colocar os interesses da empresa à frente dos clientes. No posto de diretor financeiro, Schwartz ainda se referia a clientes como “contrapartes”, o que para certos colegas era um resquício da mentalidade da firma antes da crise.

Os principais cargos no Goldman tendem a oscilar entre executivos do setor de banco de investimento e corretores. O poder normalmente segue a divisão que está em alta. Blankfein chegou ao comando depois de uma temporada na liderança da corretora no início da década passada, quando o lucro subia e a receita do setor de banco de investimento diminuía com o estouro da bolha da internet. Seu antecessor, Henry Paulson, veio do banco de investimento e ascendeu ao trono em 1999 depois de crescentes perdas na corretora do Goldman.

A área de banco de investimento foi a que liderou nos últimos anos, graças à explosão histórica de fusões e aquisições e às novas regras que reduziram o lucro da corretagem. Mas há sinais de que o movimento de fusões perde força e a perspectiva de desregulamentação gerada pela eleição de Trump pode reenergizar as corretoras.

Há também focos emergentes de poder. Cerca de 25% dos 35 mil funcionários do banco são programadores e engenheiros subordinados ao diretor de tecnologia, R. Martin Chavez, velho aliado de Blankfein. E a divisão de gestão de investimentos do banco, que administra recursos para fundos de pensão e outros grandes investidores, que agora responde por quase 20% da receita da firma. Mas seus executivos parecem candidatos menores a uma promoção de peso: Tim O’Neill, de 63 anos, é contemporâneo de Blankfein, o que o torna um improvável sucessor; já Eric Lane ainda tem 40 e poucos anos de idade.

O noticiário acrescenta que a ascensão de altos executivos para o posto de Cohn poderia criar espaço para promoções mais abaixo. A falta de rotatividade no círculo interno de Blankfein levou a queixas sobre um gargalo de talentos e provocou a saída de certos sócios, disseram executivos que trabalham ou trabalharam na firma. Caso o Goldman precise nomear um novo diretor financeiro, muitos na empresa esperam que Stephen Scherr, que dirige o incipiente banco de varejo da firma, ou Pablo Salame, codiretor da divisão de valores mobiliários, ocupem a posição. Ambos foram vistos como candidatos prováveis da última vez que o cargo ficou vago.

Já se o banco resolver trocar Solomon, que é um dos três chefes do banco de investimento, entre os candidatos prováveis estão Marc Nachmann, diretor do braço de financiamento, e Gregg Lemkau, especialista em fusões que trabalhou na compra daYahoo Inc. pela Verizon Communications e a cisão da Hewlett-Packard Inc, conclui The Wall Street Journal.