'El País': O império da carne brasileira

Reportagem diz que empresa BRF pretende consolidar liderança no mundo muçulmano

Matéria publicada nesta segunda-feira (28) pelo El País conta que em janeiro de 2013 a Brasil Foods, resultado da fusão entre Sadia e Perdigão, anunciou que estava mudando seu nome para BRF. A empresa disse que a decisão de mudar o nome seria para se estabelecer como uma empresa global de alimentos e se estabelecer fora do Brasil. 

"Queremos deixar de ser um mero operador", explica Alexandre Borges, vice-presidente de finanças e gestão de BRF. "Nós temos condições de deixar de ser exportadores e nos tornamos empresas locais."

A reportagem diz que é uma estratégia que está começando a ser sentida: a empresa foi a terceira do planeta em movimentação de volume de negócios e capitalização de carne durante o ano passado nos mercados internacionais dentro do Brasil. No entanto, a crise econômica e política no país sul-americano e a desvalorização de sua moeda, o real, teve queda em seu faturamento, apesar de crescer 10% em moeda local, caiu mais de 25% quando contabilizados em dólares, fechando o ano com 32,197 milhões de reais (8,875 milhões de dólares).

> > El País Un imperio cárnico brasileño

El País acrescenta que outros fatores também estão prejudicando os resultados da empresa. A pior seca em décadas devastou o fértil sudeste do país e o aumento do preço dos grãos tem um impacto sobre os custos de produção, especialmente em aves de capoeira, o que representa 40% do volume de negócios desta empresa. Em junho, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) reportou uma queda de 10% na produção, um declínio que não se refletiu em um aumento de preços para a abundância de carne de aves no mercado. 

O jornal espanhol aponta que os problemas não são exclusivos para a empresa brasileira. A americana Tyson Foods, maior produtora de carne bovina do mundo e um dos grandes rivais da BRF anunciou segunda-feira (28) a saída de seu presidente-executivo na sequência de uma queda no volume de negócios de quase 13%, pior do que o mercado esperava.

Neste cenário, a BRF já está acelerando sua transformação em sociedade global. E o primeiro objetivo é o mercado internacional, mais especificamente os países árabes. No início deste mês, a BRF anunciou uma rodada de consultas para projetar a emancipação da sua divisão de produtos halal [que atenda aos critérios alimentares islâmicos], uma operação que pode pagar a empresa 500 milhões de dólares. 

"Nós somos o maior fornecedor de proteína animal no mundo muçulmano", diz Borges. "Queremos consolidar a nossa posição na região como uma empresa local e de forma mais eficaz para a tradição muçulmana".