'The Economist': Declaração de Outono da Grã-Bretanha sinaliza fracasso de Brexit

Matéria publicada neste domingo (27) pela The Economist conta que a declaração de outono deste ano, o primeiro grande evento do calendário fiscal desde o referendo da UE em junho, foi um tanto estranha. A Grã-Bretanha está em um estado de incerteza sem precedentes. O governo não está claro sobre o tipo de Brexit que ele quer. A previsão econômica é tão boa quanto a política. As perspectivas para as finanças públicas são igualmente incertas. Ainda assim, quando  o recém-chanceler Philip Hammond se levantou para entregar sua declaração na Câmara dos Comuns em 23 de novembro, teve que alcançar dois grandes objetivos. 

The Economist analisa que primeiro, ele teve que mostrar vontade de ajudar a economia caso fosse quebrada pelo Brexit, enquanto equilibra os gastos públicos. Segundo, ele teve ir de acordo com a retórica de Theresa May, a primeira-ministra, que prometeu repetidamente ajudar as chamadas famílias "just-about-managing" (JAMs), um grupo de cerca de 6 milhões de pessoas em idade de trabalhar, oriundas de famílias com renda abaixo da média.  

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A tarefa de Hammond fica muito mais difícil com o Brexit, opina The Economist. 

O Escritório de Responsabilidade Orçamental (OBR), acredita que até 2020 a economia terá crescido 2,4 pontos percentuais a menos do que o previsto antes do referendo. Como conseqüência, ao longo dos próximos cinco anos, o governo deverá emprestar £ 122 bilhões (US $ 152 bilhões) a mais. Mas o OBR não considera que o Brexit poderia realmente acontecer e causar riscos para a economia - deixando o mercado único da UE, por exemplo - claramente negativos.

Com isso em mente, Hammond optou por manter as coisas mais simples. A declaração de outono continha apenas 18 novas medidas fiscais, cerca de metade do número que seu George Osborne, seu antecessor, estava acostumado a fazer. 

O objetivo principal de Hammond, entretanto, é ser capaz de responder a tudo o que Brexit pode trazer. Sua terceira regra é reduzir o endividamento global do governo, ajustado pelo ciclo econômico, para menos de 2% do PIB até 2020-21. Com efeito, isto permite que Hammond contrate mais empréstimos para cobrir despesas de bem-estar mais elevadas e menores receitas fiscais. A OBR calcula que, com esta medida, o déficit será de 0,8% do PIB em 2020, finaliza The Economist.