'WSJ': Rio Tinto segue contra corrente e aposta na demanda da China e dos EUA

Matéria publicada nesta sexta-feira (25) pelo The Wall Street Journal conta que diante do cenário incerto do mercado de commodities, a Rio Tinto PLC afirmou que vai investir menos em projetos neste ano do que o previsto anteriormente, embora continue contra a corrente do setor ao planejar gastos maiores para os próximos anos e intensificar uma ofensiva para elevar a produtividade. O diretor-presidente da mineradora anglo-australiana, Jean-Sébastien Jacques, disse esta semana que, embora continue cautelosamente otimista em relação à China — o maior comprador de matérias-primas como ferro e cobre do mundo —, as reformas que o país está fazendo para reduzir a capacidade de suas indústrias tornam o mercado menos previsível.

De acordo com a reportagem do Journal a segunda maior mineradora do mundo em valor de mercado, atrás da também anglo-australiana BHP Billiton, afirmou que os gastos com projetos em 2016 ficarão abaixo de US$ 3,5 bilhões, um recuo de pelo menos 13% ante uma estimativa anterior de cerca de US$ 4 bilhões. É uma queda acentuada ante os mais de US$ 17 bilhões gastos em 2012, refletindo o colapso do boom dos preços das commodities que durou uma década. Desde 2012, as mineradoras vêm cortando seus investimentos em exploração e o lema do setor, que era “superciclo de commodities”, foi substituído por “disciplina de capital”. Ainda assim, este ano deve ser o fundo do poço para a Rio Tinto, que prevê investimentos de US$ 5 bilhões e US$ 5,5 bilhões em 2017 e 2018, respectivamente.

O WSJ diz que é verdade que o cenário da indústria está se mostrando um pouco melhor recentemente. A demanda da China por metais ensaiou uma recuperação limitada, mas real, e Donald Trump, o presidente eleito dos Estados Unidos, está prometendo um plano de investimentos em infraestrutura. Cada uma das ações das cinco grandes mineradoras diversificadas — Rio Tinto, BHP, a brasileira Vale, a britânica Anglo American e a suíçaGlencore Xstrata — subiu mais de 100% desde as mínimas registradas em janeiro. Dada a melhora nas perspectivas da demanda, os investidores poderiam se perguntar se os gastos de capital das mineradoras já caíram o bastante para produzir outro período sustentável de altas nos preços dos metais industriais.

Infelizmente, porém, a resposta provavelmente ainda é não, embora um surto global de projetos de infraestrutura liderado pelos EUA de Trump talvez seja grande o suficiente para virar a balança, finaliza The Wall Street Journal.