'WSJ': Volks volta a discutir çom trabalhadores reestruturação e corte de custos

Matéria publicada pelo The Wall Street Journal neste sábado (5) analisa que os esforços da Volkswagen AG para cortar custos em meio ao escândalo da fraude de emissões de gases de efeito estufa enfrentam um novo obstáculo na assembleia extraordinária de acionistas e representantes trabalhistas, marcada para hoje, em que um impasse sobre a reestruturação poderá ser resolvido. O diretor-presidente, Matthias Müller, assumiu o comando da segunda maior fabricante de automóveis do mundo em vendas há um ano, depois da divulgação de que a montadora havia instalado software ilegais que alteravam os dados de emissões em alguns modelos. Ele agora está tentando realinhar os negócios da Volkswagen. Müller pretende reduzir os custos e elevar o abatido lucro, eliminando modelos não lucrativos, cortando milhares de empregos e reduzindo as enormes despesas de capital da empresa.

Segundo a reportagem os esforços de Müller enfrentam a dificuldade representada pelo sistema de governança corporativa da Volkswagen, que concede a representantes de funcionários e sindicatos a metade dos assentos do conselho da montadora alemã. Outros dois assentos são ocupados pelo Estado de Baixa Saxônia, que possui 20% da companhia. O Estado, onde a Volkswagen é o maior empregador, costuma se unir aos trabalhadores para rejeitar cortes de empregos ou tentativas de reduzir custos transferindo a produção para fora da Alemanha. Embora a reestruturação afete todo o portfólio da montadora — incluindo marcas como Audi e Porsche, altamente lucrativas —, o foco de Müller é a marca de carros de passageiros homônima da Volkswagen. O maior negócio da empresa em vendas registrou uma margem de lucro de apenas 1,6% no terceiro trimestre. O seu principal centro de operações na Alemanha é ineficiente e inchado, dizem analistas.

O Journal diz que as negociações entre a administração da Volkswagen e os representantes dos funcionários têm sido dificultadas por exigências do sindicato de que a Volkswagen concorde em fabricar novos veículos elétricos e uma gigantesca fábrica de baterias na Alemanha. Herbert Diess, ex-executivo da BMW AG que assumiu o comando da marca Volkswagen no ano passado, tem enfrentado o líder trabalhista Bernd Osterloh várias vezes na discussão sobre como reestruturar a marca e tornar a operação alemã lucrativa. A Volkswagen emprega mais de 600 mil pessoas em todo o mundo, quase metade delas na Alemanha, em mais de 100 fábricas.

WSJ acrescenta que depois do escândalo da fraude das emissões dos carros a diesel, que até agora já custou à Volkswagen mais de 18 bilhões de euros em compensações e custos legais, Müller ampliou as negociações com os funcionários. Elas visam chegar a acordos para a racionalização da empresa e uma mudança nos investimentos para garantir que a montadora continue competitiva contra as rivais de novas tecnologias, como a Uber Technologies Inc. e a Tesla Motors Inc.

O jornal norte-americano destaca que uma das maiores mudanças que afetam a Volkswagen e outras montadoras é a migração para veículos elétricos. A mudança poderia acabar com milhares de empregos na produção de motores tradicionais e tornar seus componentes obsoletos. A Volkswagen quer que suas negociações gerem reduções de custos de cerca de oito bilhões de euros nos próximos três anos, cerca de metade vinda da marca Volkswagen, dizem duas pessoas a par da situação.

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