'WSJ': Bolhas nos mercados de vários ativos são ameaça para a China

Maior bolha aparente é no setor imobiliário, mas os preços também subiram outros ativos

Matéria publicada nesta quinta-feira (3) pelo The Wall Street Journal analisa que uma série de bolhas tem se formado na China, provocada pela onda de dinheiro especulativo injetado em ações, títulos de dívida e commodities. A maior bolha aparente é no setor imobiliário, mas os preços também subiram em ativos de nicho, como obras de arte e antiguidades. Em maio, os preços futuros do farelo de soja, usado como ração para suínos, aumentaram 40%. O volume negociado atingiu 600 milhões de toneladas, nove vezes maior que o consumo anual da China. O preço do PVC, material usado na fabricação de canos, subiu 40% este ano na bolsa de commodities de Dalian.

Segundo a reportagem a segunda maior economia do mundo está desacelerando. Crédito fácil e sucessivos estímulos fiscais, adotados para manter a China em ascensão, disponibilizaram um grande volume de dinheiro à procura de um número de oportunidades de investimento cada vez menor. A oferta de dinheiro da China quadruplicou desde 2007 e esse dinheiro ficou em grande parte preso dentro do país devido aos controles de capital do governo. Os preços em alta e o ritmo frenético dos negócios estão alarmando economistas e líderes chineses, que temem que a volatilidade seja um sinal de que a expansão de crédito da China foi longe demais e está gerando efeitos colaterais perigosos.

O Journal afirma que em maio, o Diário do Povo, jornal oficial da China, publicou na primeira página uma entrevista com uma “autoridade” não identificada que foi elaborada por assessores econômicos importantes do presidente Xi Jinping. A entrevista advertia que, sem uma gestão adequada, o excesso de crédito poderia provocar uma crise financeira sistêmica, recessão e a destruição das reservas. Os riscos possuem significância global. Os negócios com minério de ferro da China fizeram os preços recuarem em todo mundo, e os mercados de ações na Ásia, Europa e nos Estados Unidos caíram quando as bolsas chinesas despencaram no ano passado.

O diário norte-americano ressalta que os riscos estão crescendo porque investimentos especulativos estão nas mãos de um vasto leque de bancos, empresas e fundos de investimentos chineses. Milhões de consumidores colocaram suas economias em novos produtos de investimento com rentabilidade elevada. Alguns vendedores desses produtos já entraram em colapso, disseminando protestos.

O Comitê Permanente do Politburo, poderoso órgão decisório, afirmou em julho que as bolhas de ativos estão entre “os riscos e ameaças potencias que merecem muita atenção”, segundo a mídia estatal. Analistas dizem que foi a primeira referência do comitê à bolhas de ativos, provavelmente desencadeada pela alta nos preços dos imóveis nas grandes cidades chinesas, reitera o Wall Street Journal.

A dívida total da China deve atingir 260% do produto interno bruto este ano, acima dos 154% de 2008, de acordo com analistas do Goldman Sachs Group Inc. É uma das maiores expansões de dívida da história moderna, finaliza The Wall Street Journal.

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