'WSJ': Emergentes dão retorno para investidores, mas não confiança

Fundos de mercados emergentes receberam US$ 35 bi durante o terceiro trimestre do ano

Matéria publicada nesta sexta-feira (7) pelo The Wall Street Journal conta que por mais que os investidores estejam entusiasmados com os mercados emergentes, há sinais de que o dinheiro esteja somente buscando cegamente retornos maiores e não realmente acreditando no crescimento desses mercados. Os fundos de mercados emergentes receberam um fluxo líquido de US$ 35 bilhões durante o terceiro trimestre do ano, segundo dados da EPFR Global, que monitora essas instituições. O volume se compara a uma entrada líquida de US$ 10 bilhões registrada no segundo trimestre e a uma saída líquida de US$ 3 bilhões no primeiro.

Segundo reportagem do Journal alguns economistas argumentam que esses fluxos de investimentos refletem uma melhora no sentimento em relação aos novos governos que assumiram recentemente o poder no Brasil, Argentina e outros países e vêm adotando políticas mais favoráveis aos mercados. Uma pequena recuperação nos preços das commodities, que deve ajudar exportadores como Rússia e África do Sul, também estaria contribuindo. Mas o que realmente parece estar empurrando os investidores para os emergentes são os rendimentos baixíssimos vigentes nas economias desenvolvidas, principalmente após o Federal Reserve, o banco central americano, ter indicado, nos últimos meses, que os juros vão permanecer baixos por um período mais longo que o inicialmente previsto.

O Journal informa que na quarta-feira (5) a Argentina arrecadou um total de 2,5 bilhões de euros (US$ 2,8 bilhões) em duas emissões de títulos de dívida na moeda europeia. Os investidores queriam muito mais, com a demanda atingindo 6,3 bilhões de euros. O país voltou apenas recentemente aos mercados internacionais, depois de uma batalha jurídica de anos com investidores, em particular fundos americanos que possuíam títulos de dívida remanescentes de uma moratória de US$ 80 bilhões que o governo argentino declarou em 2001. Em abril, a Argentina emitiu um recorde de US$ 16,5 bilhões em dívida entre investidores. A estrutura das emissões argentinas ressalta outra faceta dessa corrida para os mercados emergentes: Nos três meses até setembro, só 39% do fluxo do capital foram para aqueles em moedas locais. Os que investem somente em ativos em moedas fortes, como o dólar e o euro, receberam 52% desse influxo e o resto foi para fundos que misturam os dois tipos de investimento.

De acordo com o texto do diário norte-americano a alta demanda por ativos em moedas fortes também é visível na diferença crescente entre os rendimentos desses instrumentos e o daqueles em moeda local. Essa diferença subiu em setembro para seu maior nível desde julho de 2014, segundo índices do banco americano J.P. Morgan Chase. Enquanto os títulos de mercados emergentes emitidos em moedas fortes tiveram um rendimento médio de 5% ao ano em setembro, os papéis em moeda local renderam 6,2% ao ano. (Os rendimentos dos títulos se movem inversamente aos preços. Uma demanda mais forte eleva o preço e derruba o rendimento.

WSJ observa que esse movimento daria amparo à ideia de que os investidores dos EUA estariam somente reagindo por impulso e procurando outro lugar para colocar seu dinheiro. Os dados de fluxos para fundos também revelam que os investidores individuais, que tendem a ser mais volúveis que as instituições, foram os que mostraram uma clara preferência por ativos em moedas fortes durante os últimos meses, ao mesmo tempo em que reduziram sua exposição a moedas locais.

É verdade que os investidores também poderiam estar tomando uma decisão racional ao refutar as moedas dos mercados emergentes, que em geral se desvalorizaram nos últimos dois anos, finaliza The Wall Street Journal.