'WSJ': A grande aposta do Canadá em estímulo econômico

Matéria publicada nesta segunda-feira (3) pelo The Wall Street Journal analisa que na batalha global para impulsionar o crescimento, a experiência canadense em gastos estatais está criando um modelo a ser testado por algumas das maiores economias do mundo. O governo liberal do primeiro-ministro Justin Trudeau revelou um plano este ano de investir pesadamente em benefícios fiscais e infraestrutura, com 120 bilhões de dólares canadenses (US$ 91,4 bilhões) indo para infraestrutura nos próximos dez anos, incluindo cerca de 10% em projetos de curto prazo.

Segundo reportagem é uma aposta ousada para injetar vida em uma economia abatida pelo colapso dos preços das commodities, especialmente o do petróleo bruto, que já foi o principal item de exportação do Canadá. Isso também ressalta os limites do estímulo monetário, já que o banco central cortou os juros duas vezes em 2015, para 0,5% e tem considerado a política monetária — assim como outros bancos centrais ao redor do mundo — uma ferramenta menos poderosa quando os juros já estão baixos. Os grandes investimentos de Trudeau em infraestrutura serão financiados em boa parte por um déficit maior, que deverá atingir 29,4 bilhões de dólares canadenses neste ano fiscal, ou aproximadamente 1,5% de produto interno bruto, uma mudança expressiva em relação às promessas de um orçamento equilibrado de seu antecessor conservador, que abriu o caminho em direção à austeridade do qual Trudeau agora está fugindo.

O Journal afirma que embora o Canadá esteja se distanciando da experiência da maioria das economias avançadas, a ideia de depender mais de investimentos em infraestrutura para impulsionar o crescimento está ganhando força. Anos de juros ultrabaixos não foram suficientes para impulsionar o crescimento econômico global, e muitos economistas dizem que um papel fiscal é necessário. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com sede em Paris, incitou os governos em fevereiro a fazer empréstimos com os atuais juros baixos para impulsionar os investimentos em infraestrutura como parte de uma aposta coletiva para acelerar o crescimento global.

O jornal norte-americano opina que gastos coordenados ajudariam todos os países a extrair mais vantagens dos investimentos feitos, diz a economista-chefe da OCDE, Catherine L. Mann. Ela acrescenta que o Canadá fez as escolhas certas ao decidir onde investir seu dinheiro, e oferece um exemplo do tipo de comportamento que a OCDE está promovendo. O plano do Canadá também foi elogiado pelo FMI, que tem pedido aos governos que façam mais para impulsionar a debilitada economia global. O ministro da Fazenda canadense, Bill Morneau, tem dito que os novos investimentos — que nos primeiros dois anos injetarão 40% do total em projetos de infraestrutura e o restante em assistência a infância e outros programas sociais — devem acrescentar 0,5% ao crescimento econômico do Canadá no ano fiscal de 2017 e 1% no ano fiscal de 2018. O crescimento econômico do Canadá, que ficou em torno de 3% em média durante os dez anos encerrados em 2008, foi de apenas 1,1% em 2015 e o Banco do Canadá, o banco central do país, declarou que espera um crescimento em torno de 1,3% para 2016.

O WSJ observa que os dois candidatos à presidência dos Estados Unidos prometem novos investimentos em infraestrutura, e o Reino Unido está considerando estímulos adicionais depois da decisão de deixar a União Europeia.

Ainda não está claro se a aposta do Canadá em estímulos fiscais terá resultado, e muitos dos investidores ainda precisam de mais detalhes. Embora a maioria dos projetos de curto prazo anunciados nos últimos meses deva estar pronta até meados de 2018, grande parte dos investimentos em infraestrutura serão realizados ao longo dos próximos dez anos, finzaliza The Wall Street Journal.