'Bloomberg': Temer e o desafio de repetir Itamar na economia

Matéria publicada nesta sexta-feira (9) pela Bloomberg fala que Michel Temer assumiu como presidente efetivo repetindo Itamar Franco, o primeiro e até então, único caso de vice a assumir no lugar de um presidente eleito e afastado em processo de impeachment no Brasil. 

reportagem da Bloomberg lembra que visto inicialmente com má vontade no mercado, Itamar acabou surpreendendo positivamente. Temer já começa com expectativas elevadas. Resta cumpri-las.

Bloomberg acrescenta que além de manter o programa de privatização e a abertura da economia herdados do governo Collor, Itamar colocou na Fazenda o tucano Fernando Henrique Cardoso, que comandou a equipe que criou o Plano Real, pondo fim à hiperinflação. O sucesso do plano colocou FHC na condição de candidato imbatível à sucessão de Itamar. Se a história se repetir, o nome do Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que assim como FHC em 1992 não é do mesmo partido do presidente, pode ganhar força como alternativa para 2018. 

Bloomberg afirma que a avaliação é do cientista político Ricardo Sennes, da Prospectiva Consultoria. Para ele, Temer vai tentar chegar à eleição com um nome que possa unir as principais forças do seu grupo político, que incluem, além do PMDB, partidos como o PSD e o DEM e parte do PSDB. Para Meirelles se viabilizar, porém, as reformas precisam dar certo e a economia sair da recessão, entrando em 2018 com crescimento ao menos razoável e inflação na meta. 

A emenda que estabelece o teto para os gastos deve ser a prioridade do governo Temer após a aprovação do impeachment, diz Sennes. 

Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs em Nova York, concorda que a capacidade de Temer acelerar o ajuste fiscal será crucial para a economia e o mercado, conforme publicação da Bloomberg. 

“Hesitações e/ou fracasso em obter avanços tangíveis em direção a uma consolidação fiscal poderão detonar uma dinâmica adversa nos mercados”, disse o economista em relatório após a votação que sacramentou o afastamento de Dilma e a ascensão de Temer como presidente.