'Clarín': com Argentina em recessão, empresários reduzem preços para atrair consumidores

Pesquisas de opinião posicionam a inflação no topo das preocupações dos argentinos

Matéria publicada nesta sexta-feira (8) no jornal Clarín, conta que o alto nível dos preços preocupa as famílias e foi o pesadelo do primeiro semestre do ano: a inflação acumulou 26% como consequência do impacto da desvalorização do fim de 2015 e do golpe tarifário de abril. Para os empresários, o problema atualmente não é tanto como evitar perder rentabilidade por causa da corrida dos preços, mas como se livrar dos estoques, diante da evidente redução da demanda. Em outras palavras, a recessão foi sentida com mais intensidade em junho e agora é preciso achar a maneira de vender mais se quiserem continuar competindo. Os dados sobre vendas de eletrônicos, automóveis, material de construção e até de alimentos se mantiveram baixos em junho em relação a maio e agora espera-se alguma revanche neste mês. Mas julho não parece fácil em matéria de atividade econômica.

Segundo a reportagem do Clarín, as consultorias econômicas afirmam que hoje nenhuma empresa ligada ao consumo pode vender a preços de tabela e que todas têm que vender com descontos. Um indicador aponta que nos shopping centers algumas lojas de roupa demarca começaram as liquidações em meio a um inverno frio e que não dá mostras de ceder em matéria de temperaturas baixas. Cortar estoques é a preocupação dos empresários de quase todos os ramos e é por isso que boa parte dos economistas diz que a recessão teria detido a corrida da inflação, a ponto de os preços dos alimentos terem se estabilizado nas duas últimas semanas.

O jornal argentino fala que a previsão é que no último trimestre a inflação será de 1,5% mensal e que a inflação anualizada de julho dará 22,5%. Existe um dado financeiro que também reflete a maneira como a diminuição das vendas se derrama sobre as empresas: hoje o custo do crédito para as firmas privadas é menor do que o que o Banco Central paga. Normalmente, a taxa que o Banco Central paga pela colocação de letras para absorver pesos é o “patamar” das taxas do mercado. Isso se dá porque, também normalmente, o Estado paga o menor custo financeiro por se tratar do menor risco do mercado. Seria uma diferença sensível em relação aos 42% de inflação (dezembro 2016-dezembro 2015) citada pelo ministro da Fazenda Alfonso Prat-Gay.