'WSJ': Bancos dos EUA perdem espaço em operações de fusões e aquisições

Matéria publicada nesta quarta-feira (11) no The Wall Street Journal, analisa que em um mesmo dia de abril, duas grandes empresas anunciaram aquisições que tinham um detalhe em comum: nem o grupo de mídia Comcast Corp. nem a farmacêutica AbbVie Inc. recorreram a um banco para ajudá-las na operação.

Segundo a reportagem, as duas gigantes americanas não estão sozinhas. Mais companhias estão optando por não usar bancos nos processos de aquisição. Em 2015, nos negócios envolvendo empresas de capital aberto avaliadas em mais de US$ 1 bilhão, os compradores não usaram consultores financeiros em 70 operações, ou 26% do total, de acordo com a Dealogic. É o segundo maior número já registrado e supera de longe os 25 casos, ou 13%, de 2014.

O Journal fala que em 2016, já foram registrados 23 casos, ou 27% dos negócios em questão. Embora o volume de fusões esteja crescendo, o aumento dos negócios fechados sem o uso de bancos está mais evidente desde 2014.

A tendência é uma má notícia para as firmas de Wall Street, que ganham montantes expressivos — às vezes chegando a dezenas ou até mesmo centenas de milhões de dólares — com consultoria prestada em aquisições. O momento não poderia ser pior para os grandes bancos, que estão perdendo participação no mercado para pequenas empresas iniciantes, conhecidas como butiques, e se veem às voltas com novas regulações e juros baixos.

As butiques — firmas independentes que oferecem serviços de banco de investimento e consultoria —, como a Moelis & Co. e a Perella Weinberg Partners LP, têm continuamente conquistado espaço de seus rivais maiores nos últimos anos, com a participação desse grupo nas comissões recebidas ficando em torno de 18% até agora no ano, mais que o dobro do registrado em 2008, segundo a Dealogic.