'WSJ': Mercados emergentes demonstram maturidade ao lidar com crise atual

Matéria publicada neste sábado (9) no The Wall Street Journal, analisa que o fluxo de capital em direção para fora dos mercados emergentes já acontece ha alguns anos, impulsionado pela desaceleração do crescimento, queda dos preços das commodities, e a perspectiva de taxas de juros norte-americanas superiores. 

Segundo a reportagem, o mundo emergente aprendeu sobre os perigos das taxas de câmbio fixas, e infelizmente, já sabem analisar o quanto eles ainda devem aprender. Estes mercados têm sido os principais receptores de investimento de estrangeiros que procuram explorar o seu potencial econômico mais promissor. No entanto, tais fluxos de investimento são notoriamente instáveis, muitas vezes em queda, ou completamente inexistentes.

O jornal americano destaca que o Fundo Monetário Internacional registou um episódio de desaceleração na entrada de capitais, de 1981 a 1985, período que coincidiu com o desenvolvimento de crise de dívidas dos países da década de 1980, e outra no período de 1995 a 2000, período paralelo a crise asiática de 1997 a 1998. O episódio atual de saídas de capital começou por volta de 2010 e pelo volume pode ser comparada aos episódios em 1980 e 1990, segundo o FMI. Mas "a incidência de crises da dívida externa tem sido até agora muito menor." De fato, nenhuma grande economia emergente tem a necessidade de um resgate, exceto a Ucrânia, que foi invadida pela Rússia, certamente uma circunstância atenuante.

'WSJ' diz que na última década, os mercados emergentes adotaram políticas macroeconômicas ortodoxas. Eles sinalizaram a seus bancos centrais para se concentrar apenas na inflação e analisa-las com tecnocratas apolíticos com doutorado de universidades americanas. Desta forma eles flutuavam suas taxas de câmbio. Como observa o FMI, cerca de 75% da dívida do governo dos mercados emergentes, está agora denominada em moeda local, em comparação a zero % em 1995, sendo que cerca de 70% da dívida de mercados emergentes é corporativa, em comparação com 5% em 1995.

"Taxas de câmbio flexíveis parecem ter ajudado alguns mercados emergentes a mitigar desaceleração dos fluxos de capital até agora, amortecendo os efeitos dos fatores globais", observa o FMI.

Assim, a lição encorajadora dos últimos anos é que uma boa política macroeconômica pode reduzir significativamente a frequência e gravidade da crise. A má notícia é que isso não é suficiente.

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