'WSJ': A meta da AB InBev é obter receita de US$ 100 bilhões até 2020

Matéria publicada nesta segunda-feira (4) no The Wall Street Journal, fala que a Anheuser-Busch InBev NV é conhecida por suas metas ambiciosas, mas a mais recente delas — chegar a uma receita anual de US$ 100 bilhões até 2020 — é um salto e tanto, embora tentador.

Segundo a reportagem, a meta é parte de um novo plano de incentivos baseado em desempenho citado no relatório anual da AB InBev, que foi entregue aos reguladores no dia 14 de março. O plano foi inicialmente apresentado num arquivo enviado à Securities and Exchange Commision, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, em dezembro do ano passado, logo depois de a AB InBev ter anunciado a aquisição da rival SABMiller PLC num negócio de cerca de US$ de 108 bilhões.

Em dezembro, como parte do plano, a cervejaria belgo-brasileira criou uma concessão especial de opções de compra de ações que serão oferecidas a 65 gestores seniores caso eles consigam ampliar a receita conjunta das duas empresas em mais de 50% até 2020. A receita da AB InBev no ano fiscal de 2015 foi de US$ 43,6 bilhões, enquanto a SABMiller faturou US$ 22,1 bilhões, o que põe em US$ 65,7 bilhões a receita total da empresa combinada, excluindo desinvestimentos.

Se a empresa atingir as metas de crescimento, o plano de desempenho poderia, numa estimativa conservadora, colocar US$ 350 milhões nos bolsos dos executivos.

Uma porta-voz da AB InBev disse que o “2020 Dream Incentive Plan” (Plano de Incentivo dos Sonhos de 2020, em tradução livre) é parte de uma meta interna de ampliação de resultados, não uma previsão oficial da empresa. Ela não quis explicar por que a meta exclui o conselho executivo da AB InBev — o grupo dos 16 principais executivos da companhia, incluindo o diretor-presidente, Carlos Brito, o diretor-financeiro, Felipe Dutra, e seis diretores-superintendentes regionais. Não está claro quais seriam as metas de desempenho definidas para esses executivos.

O que é claro, dizem profissionais que analisam a empresa, é que, para atingir essa meta de receita, a AB InBev terá que fazer outra grande aquisição ou dar um impulso considerável ao seu crescimento.

A cervejaria tem um histórico melhor de adquirir empresas e cortar custos do que de ampliar a receita. Depois da aquisição da Anheuser-Busch, em 2008, a empresa alcançou altas substanciais nos lucros ao cortar pessoal e elevar preços para compensar a queda no volume de vendas de cervejas como Budweiser e Bud Light. Um plano de incentivos lançado após o fechamento dessa aquisição premiava os executivos se conseguissem reduzir a dívida rapidamente.

Por outro lado, a AB InBev vem tendo dificuldade para crescer nos Estados Unidos, seu maior mercado, onde o volume de vendas e participação de mercado vêm caindo nos últimos seis anos. A receita recuou 2% no ano passado, depois de ter subido apenas 0,5% em 2014.

Em novembro, Brito disse que planejava expandir a presença das cervejas Bud, Corona e Stella Artois na América Latina e África, mercados que representam 68% da receita da SABMiller. A expectativa é de que a África vai liderar as vendas da indústria de cerveja, com um crescimento anual composto, em volume, de 3,7% até 2020, de acordo com a Plato Logic, firma britânica especializada no setor.

Mas, para atingir US$ 100 bilhões em receita, a AB InBev terá que alcançar um crescimento anual de cerca de 8,8% para a nova empresa combinada até 2020 ou de 6,2% até 2022, uma prorrogação do prazo permitida pelo plano. Isso exigiria um aumento significativo em relação à taxa de crescimento anual composta de 2,9% que a empresa registrou desde 2009, o primeiro ano após a aquisição da Anheuser-Busch.

“É muito difícil vê-los atingindo isso [a meta de US$ 100 bilhões] sem fusões e aquisições”, diz Mark Swartzberg, analista da firma de investimentos americana Stifel Nicolaus & Co. Ele acrescenta que o plano de desempenho alimenta especulações de que a AB InBev pode tentar comprar a Coca-Cola Co. Outra alternativa seria uma companhia de bebidas como a britânica Diageo PLC ou cervejarias da África ou da Ásia, diz Swartzberg.

O jornal informa que a Coca-Cola e a Diageo não quiseram comentar.