'WSJ': Risco de inadimplência é nuvem negra sobre mercados emergentes

Matéria publicada nesta sexta-feira (1) no The Wall Street Journal, conta que os mercados emergentes se recuperaram no primeiro trimestre após três anos de paralisia, mas a deterioração da qualidade de crédito de governos e empresas sinaliza possíveis problemas à frente.

Segundo a reportagem, a flexibilização da política monetária pelos principais bancos centrais do mundo, além da estabilização nos preços do petróleo e outras commodities durante a maior parte do trimestre, ajudaram a dar impulso às ações e títulos de dívida desses países. 

O jornal americano diz que o Brasil, Turquia e México lideraram esse movimento, com os seus principais índices de ações subindo 18%, 16% e 7%, respectivamente, nos três primeiros meses do ano até ontem. Isso se compara com um ganho de 1% do índice S&P 500, que reúne algumas das maiores empresas americanas.

As moedas de países emergentes também se fortaleceram em relação ao dólar, com o rublo russo e o real subindo, respectivamente, 9% e 5,8% ante a moeda americana até agora no ano.

As agências de classificação de crédito, no entanto, têm ido além da recuperação recente em suas análises dos mercados emergentes, considerando sinais mais ameaçadores para os países em desenvolvimento: um crescimento global mais fraco, preços das commodities ainda bem abaixo de picos recentes e a perspectiva de um dólar mais forte, um fator que elevaria o custo de pagar dívidas emitidas na moeda americana.

O cenário econômico tem levado as firmas de classificação de crédito a rebaixar suas avaliações de risco de títulos emitidos em dólar por países emergentes para o menor nível em mais de seis anos. No trimestre, elas rebaixaram a dívida soberana de mais de dez países emergentes, incluindo o Azerbaijão e a Polônia. As dívidas da África do Sul e da Arábia Saudita foram colocadas sob revisão para possível rebaixamento.