'NYT': Qual a vantagem da taxa de juros negativa adotada por alguns bancos?

Matéria publicada nesta segunda-feira (15) no The New York Times, por Neil Irwin, comenta que háuma década, as taxas de juros negativas eram uma curiosidade teórica que os economistas discutiriam por horas, dias..... Há dois anos, começou a se mostrar como um passo não convencional que alguns pequenos países estão considerando. 

Agora, é a política declarada de alguns dos bancos centrais mundiais mais poderosos, incluindo o Banco Central Europeu e o Banco do Japão.

Ao adotar taxa de juros negativa, o Japão lançou mão de uma nova arma em sua longa batalha contra a deflação, que desde a década de 1990 desencoraja os consumidores a fazer grandes compras porque esperam que os preços caiam mais. A deflação é considerada a raiz de duas décadas de mal-estar econômico. Antes, o país mantinha a taxa de juros próxima a zero. O banco central da Suécia, que já tinha taxas de juros negativos, fez um novo corte de 15 pontos básicos, para 0,5% negativo. 

Segundo a reportagem, o principal motivo é a inflação, que está abaixo de 1%, enquanto a meta do banco é elevá-la para 2%. A baixa inflação tem levado bancos centrais de vários países e regiões do mundo a adotar juros negativos – que, na prática, têm o objetivo de estimular que o dinheiro circule na economia, em vez de ficar depositado em instituições financeiras. 

A Suécia, no entanto, ocupa posição incomum, por ter crescimento econômico forte. O banco central prevê crescimento de 3,5% no PIB este ano, perto dos 3,7% de 2015. Mas a inflação anualizada foi de apenas 0,1% em dezembro, e a taxa de inflação básica, o indicador mais acompanhado pelo Riksbank (o BC sueco), foi de 0,9%. O Riksbank foi criticado por outros países por ter sido um dos primeiros a elevar os juros depois da crise financeira mundial e, depois, por se tornar o primeiro banco central do mundo a tornar negativa sua taxa de redesconto – em lugar de reduzir a taxa de depósito, como o BCE, ou a taxa aplicada às novas reservas bancárias, como no Japão

Janet Yellen afirmou que o Federal Reserve estava mantendo em aberto a opção de adotar se acumulando na economia mundial, mas afirmou que é improvável que elas sejam adotadas. Falando ao Congresso em seu segundo dia de depoimento, na quinta-feira (11), a presidente do Fed defendeu a decisão de elevar os juros norte-americanos pela primeira vez em quase uma década, adotada em dezembro, ainda que tenha reconhecido que as condições econômicas e financeiras se agravaram, de lá para cá.