Nova projeção do FMI sobre economia brasileira repercute internacionalmente

O Fundo Monetário Internacional (FMI) piorou a projeção de queda da economia brasileira em 2016 de 1% para 3,5% nesta terça-feira (19). Se as estimativas se confirmarem, este será o segundo ano consecutivo de recuo do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB). Em 2017, a expectativa é de estabilidade, com estimativa de crescimento zero.

A retração do Brasil puxou o resultado negativo para a economia da América Latina, ganhando destaque na imprensa internacional. Em matéria publicada pelo 'The Wall Street Journal', os escândalos de corrupção brasileiros são citados como componentes centrais da crise econômica do país. 

Ainda segundo as novas estimativas do FMI, em 2016 a América Latina deverá ter retração econômica de 0,3%. Para o ano que vem, a previsão é de crescimento de 1,6%. De acordo com o espanhol 'El País', o crescimento mundial, em especial o da América Latina, foi diretamente afetado pelo baixo preço do petróleo, que castiga os países exportadores, e a desaceleração da economia da China.

Além desses fatores, a recuperação econômica dos Estados Unidos aumenta a possibilidade de que o Federal Reserve eleve os juros do país, o que agravaria os problemas de dívida de muitas economias com passivos denominados em dólares, especialmente os emergentes. "Assim, o Fundo prevê que a expansão mundial será de 3,4%, 0,2 ponto percentual a menos que nas projeções de outubro", diz a reportagem do 'El País'

O jornal ainda lembra que esses são os mesmos problemas que, há duas semanas, levaram o Banco Mundial a rever suas previsões para a região. A instituição, porém, foi mais otimista do que o FMI - que há algum tempo vêm mostrando um padrão amargo, com piora de perspectivas a cada três meses - e assinalou que o crescimento em 2016 será “nulo”, depois da retração de 0,9% em 2015. 

Em matéria publicada em seu site, o 'Financial Times' afirma que, se as expectativas do FMI se concretizarem, esta será primeira vez em que a economia da América Latina terá duas contrações consecutivas desde 1982, quando teve início a "década perdida" da região.

A agência de notícias 'Reuters' também publicou uma extensa notícia analítica sobre as novas previsões a respeito da economia brasileira. De acordo com o texto, assinado por Silvio Cascione, as projeções do FMI raramente são inesperadas. "A dramática revisão do Fundo para o crescimento econômico do Brasil em 2016 e 2017, embora brutal, apenas reflete o completo pessimismo evidenciado há meses por economistas", escreve o jornalista. 

A diferença do alarme feito pelo FMI, diz a reportagem, está nas implicações políticas desses números no país. A reportagem se refere ao pronunciamento de Alexandre Tombini, presidente do Banco Central brasileiro, de que as projeções serão levadas em consideração na reunião do Copom desta semana. 

>> Tombini considera significativas revisões do FMI para economia brasileira

Entre hoje e amanhã, a autarquia decidirá qual o rumo da taxa básica de juros do Brasil pelo próximo período. "Até ontem, o banco tinha prometido fazer o que fosse necessário para assegurar a manutenção da meta da inflação - sinal de que elevaria os juros nesta semana, provavelmente para 14,75%", explica a reportagem da 'Reuters'. O anúncio do FMI, porém, pode alterar essa decisão.  

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