Ibovespa volta a cair com exterior e novos rumores sobre saída de Levy

Índice caiu 0,81%, para 45.262 pontos; dólar teve alta de 1,93%, vendido a R$ 3,8738

O Ibovespa voltou a cair nesta sexta-feira (11), impactado por fatores externos - como a queda das bolsas norte-americanas - e incertezas internas, que foram intensificadas por declarações do ministro Joaquim Levy que sinalizam para sua saída Fazenda, caso a meta fiscal do país seja alterada. No destaque das ações, Petrobras e Vale puxaram as perdas do índice brasileiro - que, no fechamento, recuava %, a pontos.

Em conversa com representantes da Comissão Mista de Orçamento (CMO), Levy afirmou que poderá deixar o governo caso seja aceita a proposta de reduzir a zero a meta de superávit primário para 2016. Ele insiste na taxa em 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. "Se zerar o superávit, estou fora", sentenciou. 

No cenário político, as articulações para um possível impeachment da presidente Dilma Rousseff continuam roubando a cena. O PSDB decidiu se unificar em torno do pedido, com destaque para a atuação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em evento na última quinta-feira (10) com líderes da sigla, ele afirmou que existem motivos suficientes para concretizar o impedimento. O senador e presidente nacional do partido, Aécio Neves e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também participaram da reunião. 

A relação de Dilma com seu vice, Michel Temer (PMDB), continua em pauta. Nesta tarde, o peemedebista participou de evento no Instituto Brasiliense de Direito Público, sob coordenação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Temer não fez comentários sobre a presidente ou a respeito de sua carta, vazada no início desta semana.

>>> Temer defende "semiparlamentarismo" em evento com Gilmar Mendes 

A Petrobras acompanhou a forte desvalorização do petróleo, com o Brent caindo mais de 2% no encerramento do mercado brasileiro. As ações ordinárias (PETR3) da estatal perderam 3,80%, a R$ 8,85, enquanto as ordinárias (PETR4) recuaram 2,68%, a R$ 7,25. 

Em relatório divulgado hoje, a Agência Internacional de Energia (AIE) confirmou que o mercado internacional continua com excessos de produção da commodity. A autoridade ainda acendeu sinal de alerta para a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de manter seus níveis de produção. As informações do relatório tiveram forte impacto na cotação dos papeis de empresas do setor.

A Vale (VALE3, R$ 12,21, -3,63%; VALE5, R$ 9,59, -4,29%) também caiu forte, acompanhando as perdas no preço do minério de ferro.  

Dólar também sofre impactos da declaração de Levy e sobe 1,93%

O dólar também sofreu os impactos da declaração de Levy sobre deixar o ministério da Fazenda e subiu 1,93%, terminando o dia cotado a R$ 3,8738 na venda. Na semana, a moeda acumula alta de 3,61%. No mês, porém, tem queda de 0,33%. Quando a análise é anual, a divisa volta a se valorizar frente ao real (45,7%). 

Novas preocupações com a economia chinesa também influenciaram o fortalecimento do dólar na sessão de hoje. Investidores de todo o mundo evitaram ativos de grande risco, após o yuan chegar à mínima em quatro anos e meio.

Nesta manhã, o Banco Central deu sequência a seu programa diário de interferência no câmbio, seguindo a rolagem de swaps cambiais com vencimento em janeiro. Até agora, a autoridade já rolou o equivalente a US$ 4,926 bilhões - cerca de 46% do lote total, que corresponde a US$ 10,694 bilhões.

>>> Bolsas europeias despencam, de olho nas perdas do petróleo

>>> Bolsa de Xangai tem baixa de 0,6%; Tóquio sobe 0,97%