'El Pais': Os desafios da América Latina

Brasil, China e a Orla do Pacífico são grandes oportunidades para combater incertezas

Matéria publicada no jornal El País, dia 6 de novembro, por Jorge Cachinero, fala que o mapa econômico global está mudando. A queda dos preços das matérias-primas, a recuperação aparente do mercado norte-americano e do abrandamento do crescimento chinês são exemplos dessa transformação. A palavra que define a situação atual na América Latina não é outra senão "incerteza". No entanto: China, Brasil e o Pacífico são o futuro da economia, por três fatores-chave e também estão associados com três referências geográficas do mundo que estão se aproximando.

A reportagem conta que por um lado, a presença chinesa na América Latina tem se expandido a um ritmo acelerado de alguns anos para cá, como resultado da oferta de matérias-primas a partir deste para aquele. Este fenômeno de "gorila alimentando as matérias-primas de 400 kg" tem gerado dependência considerável na região, o que está se tornando claro nos últimos meses. Aqueles dependentes de produção de matérias-primas para os países de mercados chineses têm sido mais expostos financeiramente, dada a queda acentuada dos preços do petróleo, que entraram  no jogo para permanecer ao redor, ou abaixo, de $ 50 o barril por um longo período de tempo, e, por extensão, o resto dos minerais e de produtos agrícolas. A China também se encontra em processo de transição de seu modelo econômico rumo a uma economia mais focada em consumo doméstico e ao setor de serviços.

Embora essa dependência seja considerada uma ameaça para o futuro crescimento sustentável das economias da América Latina é, ao mesmo tempo, uma boa oportunidade para os países latino-americanos optarem, por  transformar suas matrizes de produção e subir na cadeia de valores, longe da mera extração e comercialização de matérias-primas. Independentemente da evolução dos preços das commodities a curto e médio prazo, é importante reconhecer que a China não está na ponta dos pés ao redor da América Latina, mas é um investidor oportunista nessas geografias. China não é apenas o segundo maior parceiro comercial da região, como um todo, mas a partir de uma visão mais próxima, a China é o principal parceiro comercial do Brasil, Chile e Peru, o segundo da Argentina, Equador, Colômbia e México e já assinou acordos com parceiros estratégicos da Costa Rica e Venezuela. O Reino Unido acaba de fazer também um acordo com a China.