Economia do Brasil e dólar refletem na indústria argentina, diz Clarín

Exportações hoje são menores do que em 2012, segundo consultoria

O jornal argentino Clarín publicou nesta sexta-feira (31/07) um artigo de Ezequiel Burgos sobre os efeitos negativos que a atual situação econômica brasileira está tendo sobre a indústria argentina. 

“Cinquenta por cento das exportações industriais argentinas vão para o Brasil. Isso quer dizer que o que ocorre com o principal sócio comercial da Argentina, em parte, explica o desempenho industrial local. O panorama não é animador quando se leva em conta que a economia brasileira está se contraindo e não há sinais de que vá se restabelecer em breve. Segundo estimativas do FMI, o PIB cairia 1,5% e cresceria 0,7% em 2016.

Hoje a indústria argentina exporta uma quantidade de produtos menor do que em 2012, segundo um acompanhamento da consultoria Empiria. Em apenas um ano dos últimos quatro, as exportações da indústria aumentaram: foi em 2013 quando o Brasil cresceu 2,7%.

O pior desempenho exportador industrial não se explica somente pela demanda brasileira. Tampouco ajudam a depreciação do real e a estabilidade do peso. Nos últimos doze meses a moeda brasileira perdeu 35% frente ao dólar e a argentina só 11%. A última vez que sucedeu algo similar foi em janeiro de 1999. Naquele ano, o preço do dólar no Brasil subiu 44% em relação ao da Argentina. Um cálculo do economista Federico Muñoz sustenta que o tipo de câmbio bilateral caiu 54% desde 2009, justo antes que começassem a fechar 1.000 fábricas como aponta o trabalho da UIA. Isso se complementa com o que a Empiria assinala: a Argentina perde participação no mercado brasileiro desde 2012. "Enquanto em 2005 26% dos vinhos de garrafa importados pelo Brasil era de origem chilena e 24% de origem argentina, em 2014, 35% era de origem chilena e  18% argentina". O informe acrescenta que a perda de cota de mercado frente aos principais competidores no mercado brasileiro se observa além disso em pêssegos em conserva, azeitonas, peras, ameixas secas e alhos. "Isso se deu principalmente a partir de 2012".

Mario Blejer, assessor de Daniel Scioli, reconheceu ontem que a situação do Brasil e da indústria argentina é "preocupante". E Hernán Lacunza, um economista do PRO, diz que "o vento de cauda terminou". Mas nenhum economista próximo a um candidato argumenta que a solução seja desvalorizar. Sabem que a modificação do dólar na Argentina é difícil. E mais para o presidente que assume em dezembro”.