Bovespa fecha em queda de mais de 2% com meta do superávit; dólar chega a R$ 3,29

Analista de investimentos alerta para risco de rebaixamento da nota de crédito do Brasil

A Bovespa agravou sua desvalorização na tarde desta quinta-feira (23), repercutindo principalmente a redução da meta do superávit fiscal. O principal índice da bolsa, o Ibovespa, abriu em queda de 0,76%, e fechou com perdas de 2,18%, aos 49.806 pontos. Com a possibilidade de rebaixamento da nota de crédito do Brasil, segundo o analista da XP Investimentos, Caio Toledo, o dólar subiu forte frente ao real e fechou cotado a R$ 3,29.

A moeda americana teve valorização de 2,17%, cotada a R$ 3,2958 na venda e a R$ 3,2951 na compra. Para Caio Toledo, "[Os investidores] começam a ficar preocupados se o rating do país vai cair ou vai ser mantido pela [agência de classificação de risco] Moody's. Acredito que o rebaixamento é praticamente certo".

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Ele destaca três principais fatores para as forte queda da bolsa hoje. A redução da meta do superávit fiscal, que, conforma anunciado pelo governo na noite de ontem, caiu de 1,1% para 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB) é o principal deles. Segundo ponto é a perda de Joaquim Levy na queda de braço com o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. "Todos achavam que o ministro da Fazenda conseguiria fazer o ajuste fiscal, mas quem ganhou foi Barbosa. Começa a surgir uma dúvida na cabeça do investidor, sobre a força que Levy tem dentro do governo." 

Os papéis da Petrobras registraram queda de 0,79% nas ordinárias (PETR3), cotadas a R$ 11,29 e de 1,83% nas preferenciais (PETR4), com preço de R$ 10,17. No exterior, os ADRs (American Depositary Receipts) da empresa caem 1,98% no papéis referentes às ações ordinárias e 2,82% nos correspondentes às preferenciais. A cotação do preço do barril de petróleo, que abriu estável, chegou a registrar perdas de mais de 1% durante o dia, pressionando as ações da empresa, mas fecharam com leve valorização. 

A empresa também está definindo a venda de ativos com nível mais avançado de negociação, mesmo sob protesto dos trabalhadores, o que também está pressionando os papéis. Como tem bastante peso no Ibovespa, a empresa também sofre com a forte desvalorização hoje do mercado, segundo destaca Caio Toledo. 

Os papéis da Vale encerraram em alta, com divulgação do relatório de produção da empresa, que registrou a segunda maior produção trimestral da história da companhia. A produção de minério de ferro da empresa no primeiro semestre de 2015 alcançou a marca de 159,8 milhões de toneladas, ficando 9,3 milhões de toneladas acima do primeiro semestre de 2014. Os papéis ordinários (VALE3) da companhia tiveram ganhos de 0,17 ao preço de R$ 17,32 enquanto os preferenciais (VALE5) subiram 0,98%, com valor R$ 14,36.

A alta do dólar beneficiou empresas exportadoras como a Suzano (SUZB5) e a Fibria (FIBR3). Os papéis das empresas lideraram os ganhos do índice nesta quinta, com a Suzano tendo valorização de 4,38% ao preço de R$ 15,50 e a Fibria subindo 3,68%, custando R$ 43,53.