CEO da Toshiba renuncia após fraude contábil

Ele foi responsabilizado por inflar os lucros em mais de US$ 1,2 bilhão ao longo de sete anos


O presidente-executivo da Toshiba, Hisao Tanaka, renunciou ao cargo nesta terça-feira (21/7) um dia depois de uma investigação independente constatar que ele e outros executivos da empresa foram responsáveis por inflar seus lucros em mais de US$ 1,2 bilhão ao longo de sete anos.

O presidente da Toshiba, Masashi Muromachi, vai atuar como executivo-chefe interinamente e, segundo a empresa,  outras mudanças na diretoria serão anunciadas até o fim deste mês.

Na tentativa de superar o escândalo contábil, a Toshiba anunciou a reestruturação  da diretoria, com a saída de 16 membros do conselho. Isso inclui Tanaka, que era executivo-chefe desde 2013, e seu antecessor, Norio Sasaki, que vinha atuando como vice-presidente. Sasaki, por sua vez, informou nesta terça-feira, que renunciou ao cargo que ocupava em um painel de consultores do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe.

Em um relatório de 300 páginas que se tornou público nesta terça-feira , a investigação contratada pela Toshiba apurou que os três últimos executivos-chefes da empresa tiveram papel ativo na elevação artificial do lucro operacional da companhia desde 2008.

Segundo o relatório, os executivos pressionaram intensamente as unidades de negócios da Toshiba - que vão desde computadores pessoais até semicondutores e reatores nucleares - a alcançarem metas de lucro irrealistas. Algumas vezes a diretoria emitia as metas pouco antes do fim de um trimestre ou um ano, encorajando os diretores das unidades a "esquentarem" os registros.

"Os procedimentos impróprios de contabilidade foram realizados continuamente como uma política da diretoria", diz o relatório. "Era impossível para qualquer um ir contra essa intenção em meio à cultura corporativa da Toshiba", acrescenta o documento.

O vice-primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, expressou decepção com o episódio. Aso disse que está totalmente desapontado e afirma que o episódio pode afetar a confiança do investidor no mercado japonês. O governo de Abe está se esforçando para mostrar maior transparência entre as companhias locais e atrair mais investidores estrangeiros.

*Com informações do "O Estado de S. Paulo