China: queda no crescimento do PIB não influencia comércio, diz diretor da CCIBC

Asiáticos devem manter mesmo volume de importação de Brasil, mas valor deve cair

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) chinês tem o menor ritmo desde 2009, mas não influenciará o comércio com o Brasil, diz Kevin Tang, diretor da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC). O avanço de 7% no segundo trimestre de 2015 faz parte de uma redução gradual e está dentro dos planos do governo, mas a queda nos preços das commodities deve fazer o valor exportado para o país asiático ser menor. 

"É importante notar que um crescimento na base da China hoje é maior que uma taxa de 10% a cinco anos atrás, por exemplo. O país continua crescendo muito, mas está desacelerando de forma gradual e controlada para atingir um nível mais sustentável", diz Tang. A demanda chinesa por produtos como commodities ainda segue grande. E é pensando em garantir este fluxo que o país tem mudado sua relação com o Brasil, com uma tendência a aumentar seus investimentos no país. 

Kevin Tang diz até que "A China confia mais no Brasil do que o próprio Brasil", inclusive no que diz respeito à Petrobras, que vai receber parcela significativa dos investimentos de US$ 53 bilhões anunciados em maio. Além de buscar garantir o comércio com o Brasil, a China quer unir seu capital abundante com a necessidade que países como o Brasil têm de melhorar sua infraestrutura. 

Os acordos surgem em momento oportuno para os chineses, já que o governo brasileiro deixa de lado a chance de investir seu próprio dinheiro nas empresas locais para criar infraestrutura. Dentro do contexto de uma economia fraca, o Brasil acaba dependente de capital externo para seus próprio investimentos. 

Quedas na bolsa da China não estão atreladas à economia do país

Tang diz que as fortes quedas na bolsa da China foram parte de uma reação descolada da economia real do país. Ele lembra que as o volume financeiro das bolsas chinesas correspondem a apenas um terço do PIB do país, enquanto em outras economias essa relação pode chegar a cem por centro. 

Uma explicação dada pelo diretor para as fortes quedas foi impor maior restrição à alavancagem para investimentos no mercado financeiro. "Os investidores pegavam dinheiro emprestado para investir em ações, então uma vez que isto foi limitado, o mercado reagiu vendendo com movimento de venda", diz. 

O governo chinês tem intercedido fortemente na bolsa, para controlar tanto movimentos de alta quando de baixa, mas não é um movimento que irá durar por um longo prazo, na opinião de Tang. "Essas oscilações da bolsa não afetam a economia real e muito menos as relações de negócios entre Brasil e China", mas completa dizendo que movimentos tão bruscos como os observados nunca são insignificantes .