Quase metade das reservas do BC argentino são dívida e depósitos de terceiros

A metade das reservas do Banco Central argentino (BCRA) não pertencem à entidade mas a terceiros, segundo um informe privado distribuído nesta segunda-feira (22/06). A maior parte do crescimento de reservas referente ao ano se explica pela receita de financiamento de longo prazo, diante da queda da relevância das divisas comerciais no balanço cambial. É o que diz uma matéria do jornal argentina El Cronista publicada nesta terça-feira (23/06).

As reservas internacionais da entidade conduzida por Alejandro Vanoli chegaram ontem aos US$ 33,813 bilhões, depois de uma queda diária de US$ 6 milhões apesar de compras oficiais no mercado cambial por US$ 10 milhões.

Pagamentos por importações energéticas por US$ 45 milhões, do setor automotivo por US$ 31 milhões a organismos internacionais por US$ 3 milhões e outras variáveis não detalhadas pela entidade explicaram a baixa.

No que se refere ao ano das reservas internacionais do BCRA, ganharam US$ 2,38 bilhões. Com dados atualizados até o dia 12 de junho passado, a entidade  liderada por Vanoli explica que essa alta responde a rendas financeiras (swap inclusive, que o BCRA agrupa no conceito de "outros") por US$ 3,472 bilhões, compras de divisas por US$ 1,471 bilhões e saídas por US$ 2,572 bilhões devido a pagamentos de dívida e saques de depósitos em dólares.

Precisamente essa natureza eminentemente financeira do crescimento das reservas é a que chama a atenção dos analistas. 

Segundo cálculos do Instituto Argentino de Análises Fiscal (IARAF) o BCRA não é dono de quase a metade das reservas internacionais que informa.

Estimativas com base em dados da autoridade monetária atualizados até 29 de maio indicam que a dívida com terceiros contabilizada como reservas alcançou os US$ 8,4 bilhões.

 Além disso, outros US$ 7300 milhões em reservas correspondem a encaixes de depósitos em moeda estrangeira que os bancos fazem, com o qual estão sujeitos a eventuais retiros dos titulares dessas contas.

Estes dois conceitos combinados equivalem a 47% do total das reservas internacionais.

"O número é composto principalmente pelas injeções do swap acordado com o Banco Popular de China", disse Nadin Argañaraz, titular do IARAF.

 "O fato de que as reservas não sejam propriedade do BCRA não quer dizer nada em relação ao poder de fogo do banco diante de uma eventual corrida cambial, mas é um termômetro de como é o fluxo de divisas em tempos de cepo, barreiras às importações e outros limites que não evitam que as divisas continuem saindo do país. O endividamento do BCRA e do Tesouro marca o custo de tentar reativar a economia sem criar novas pressões inflacionárias nem sobre o tipo de câmbio", disse. 

O crescimento do peso da dívida em reservas é uma necessidade que surge devido aos magros resultados que a autoridade monetária obtem no mercado cambial apesar de barreiras e cepos.

Segundo consigna o IARAF, nos primeiros cinco meses do ano a liquidação de divisas do agro caiu 25% em comparação com o ano passado. Foram US$ 7,992 bilhões que entraram no setor do país como resultado de suas vendas ao exterior frente aos US$ 10,782 bilhões que as exportadoras cerealíferas haviam liquidado no mesmo período de 2014.

Nesse período, o BCRA comprou US$ 1,269 bilhões no mercado cambial atacadista, ou seja 16% das divisas que o agronegócio faturou durante este ano. A proporção  despencou em relação ao ano passado, quando o BCRA comprava 35% dos dólares que de receitas do agronegócio.