Produção da Petrobras cresce 51% a mais que o consumo de petróleo no Brasil em 30 anos

Em 2012, a média de exportação diária bateu a marca de 526 mil barris

Dados sobre o setor de petróleo no Brasil nos últimos 30 anos mostram que o aumento da produção da commoditie foi 51% maior do que o crescimento da demanda, que deu um salto nas últimas três décadas, puxada pela expansão do setor automobilístico. Enquanto o consumo nacional do óleo aumentou 290%, a produção da maior petroleira do país, a Petrobras, impulsionada por investimentos crescentes do governo nos últimos anos, teve aumento de 439% no período.

Baseado em dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da U.S. Energy Information Administration (EIA), agência norte-americana que faz parte do sistema federal de estatísticas dos Estados Unidos, o JB levantou dados dos últimos 30 anos sobre produção, consumo, importação e exportação de petróleo no Brasil, e cruzou com estatísticas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), traçando um panorama da expansão dos dois setores no período. No ramo de veículos, a fatia detida no mercado interno teve crescimento de 12% em detrimento do que foi exportado, e a manufatura subiu 366%.

Em 1984 a produção nacional de petróleo bruto e condensado no Brasil foi de 475 mil bpd (barris por dia). No ano de 2014, esse número quase quintuplicou, atingindo a média de 2,255 milhões. Desta marca, 90% (2,034 milhões) esteve sob responsabilidade da Petrobras, mas a fatia já foi maior: há trinta anos, 97% da produção nacional pertencia à petroleira (463 mil bpd).

Se a Petrobras sempre deu conta de boa parte da produção brasileira de petróleo em todo o período, o cenário já foi bem diferente em relação à demanda que, à época, era duas vezes maior. O país consumiu, em 1984, média de 1,033 milhão bpd, atingindo, em 2013 (ano com dados mais recentes disponíveis) a marca de 3,003 milhões (crescimento de 290%), segundo o EIA. 

Para suprir esta demanda, o Brasil importava 584 mil bpd, só passando a exportar óleo bruto e condensado em 1999, com média de apenas 600 barris por dia. Em 2012 (último ano com dados disponíveis), a média de exportação diária bateu a marca de 526 mil barris. Já a importação caiu, mas ainda existe. Com média de 375 mil bpd em 2012, o país precisa trazer de fora petróleo leve, pois a produção dessa qualidade de óleo ainda é pequena.

O consumo de petróleo se expandiu em paralelo à indústria automobilística. Segundo a Anfavea, a produção nacional de autoveículos (montados e desmontados) subiu de 864.653 para 3.172.750 (crescimento de 366%), enquanto as exportações tiveram aumento pouco menor, de 304%, o que mostra uma expansão do mercado interno no país. Em 1984, cerca de 77% dos autoveículos (montados e desmontados) produzidos ficou aqui (668 mil). Já em 2014, este percentual aumentou para 89,5%, com 2,813 milhões.

Sem produção de petróleo nacional, Brasil teria que importar 35% a mais em 2014

A balança comercial brasileira encerrou 2014 com saldo negativo de 4%, exportando US$ 225,1 bilhões contra US$ 229,06 bilhões em importações, mas essa diferença poderia ser ainda maior caso o Brasil tivesse que importar todo o seu petróleo. Com o barril custando uma média de US$ 98,94 no ano passado e rendimento nacional de 2,255 milhões de bpd, a produção total no ano teve valor de US$ 81,4 bilhões. Em uma situação onde todo o líquido tivesse que ser importado, esse montante representaria um acréscimo de 35% nas importações. 

* do projeto de estágio do JB