'Clarín': Petrobras faz dólar paralelo subir a US$ 13,75 na Argentina

Oficial chegou a US$ 8,645 e Bolsa caiu 2,68%, como reflexo do balanço não auditado da petroleira

"O dólar paralelo, o chamado "blue", subiu 10 centavos, a US$ 13,75, enquanto que o oficial ascendeu meio centavo e foi negociado a US$ 8,645 em bancos e casas de câmbio de Buenos Aires. Por sua vez, o índice Merval das ações líderes que são cotadas na Bolsa de Comércio da cidade portenha baixou 2,68%, empurrada pelos papeis da Petrobras devido à publicação de um balanço cujos resultados não foram auditados e não registraram as perdas por um caso de corrupção". É o que informa o jornal argentino Clarín, nesta quinta-feira (29/01)

"Há três temas dando volta na roda de hoje: a nova queda do preço do petróleo depois da alta de inventários nos EUA, que arrasta em parte as energéticas; o segundo é o tema Petrobras; e o terceiro são os anúncios da reunião do Federal Reserve nos Estados Unidos, de deixar as taxas de juros sem mudanças", explicou Alejo Costa, chefe de estratégia da Puente (uma das maiores corretoras argentinas) e assinalou que "os dois primeiros dados são os mais relevantes para explicar o que acontece, o terceiro foi bem mais positivo, mas de impacto fraco".

"A queda da Petrobras foi impressionante, o mercado absorveu de forma muito negativa os balanços", afirmou um operador.

A Petrobras Brasil, segunda empresa com maior peso no índice Merval, caía mais de 10% na praça local, assim que a empresa registrou ganhos de cerca de 1,2 bilhões de dólares no terceiro trimestre de 2014, uma queda de quase 40% contra o trimestre anterior.

Os resultados apresentados pela Petrobras Brasil não foram auditados e não registraram as perdas causadas pela corrupção. Na Bolsa, quase todas as empresas baixaram, com as quedas mais pronunciadas para a Petrobras (-9,1%), Tenaris (-3,2%), YPF (-3,6%), e Comercial del Plata (-4,1%).

"Foi uma jornada de pouco volume, com exceção da Petrobras que operou quase uma terceira parte do total das ações: US$ 42 milhões", assinalou Dante Ruggieri, analista da Besfamille. "A rodada de hoje foi um reflexo do que aconteceu fora com a petroleira brasileira", finalizou.

Em relação ao dólar e à subida de 10 centavos de hoje, o mercado estimou que embora a baixa nas taxas das lebacs (Letras do Banco Central) de ontem possa influir, é preciso um ajuste mais forte para que se gere uma tendência de alta até o dólar. "Espera-se que diante dos baixos interesses nas letras as pessoas comprem dólares, mas não acredito que a cotação saia muito das mãos com as travas e controles que são mantidos", afirmou um operador do mercado.

"Em relação à nova baixa do preço do petróleo, a referência dos EUA, o  WTI, perdeu US$ 1,78 a US$ 44,45, seu nível mínimo desde 11 de março de 2009. Em Londres, o barril de Brent do mar do Norte fechou a US$ 48,47, com uma baixa de US$ 1,13 em comparação ao fechamento de terça-feira. As reservas de petróleo nos Estados Unidos subiram 8,9 milhões de barris a 406,7 milhões na semana terminada no dia 23 de janeiro, enquanto que os especialistas interrogados pela agência Bloomberg News esperavam uma alta de 4,2 milhões.

Em relação às taxas de juros, o Fed informou hoje que vai mantê-las entre 0% e 0,25%, margens que são conduzidas desde o final de 2008. Na instituição, reafirmaram que mostrarão "paciência" antes de normalizar a política monetária", diz a matéria do Clarín.