Levy diz que país pode enfrentar um trimestre de contração

Ministro da Fazenda afirma que não haverá consequências materiais importantes

Em entrevista à Bloomberg TV durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que o país pode enfrentar um trimestre de contração, em consequência do ajuste fiscal efetuado por sua equipe econômica. "O PIB do Brasil é muito resiliente, mas estamos perto de zero, por isso poderemos ter um trimestre negativo, mas não haverá consequências materiais importantes", afirmou.

Inicialmente, o ministro havia usado o termo "recessão", mas horas após a declaração, o ministro informou, por meio da assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda, que usou de forma inadequada a palavra “recessão”. O termo correto, segundo a assessoria, seria "contração". 

Levy salientou as medidas para consolidar as finanças públicas, para que as empresas retomem a confiança e saibam das condições gerais do país para poder assumir riscos.

O ministro disse ainda que os preços do petróleo no patamar de US$ 50 podem ser bons para o Brasil. "Baixo custo significa mais crescimento, vamos exportar mais. Um dos problemas no último ano é que o comércio mundial enfraqueceu. Isso vai ser bom para o Brasil".

Mais cedo, em almoço com investidores estrangeiros, Joaquim Levy garantiu que o PIB brasileiro ficará estável este ano e prometeu transparência na política fiscal. Levy também descreveu aos 80 empresários reunidos em um hotel o potencial crescimento da economia brasileira em 2015. 

O ministro afirmou que o governo fará um grande esforço para recuperar a confiança dos investidores. Joaquim Levy explicou ainda as medidas adotadas para aumentar a arrecadação de impostos.

Durante o almoço, o ministro da Fazenda brasileiro foi questionado sobre o impacto da queda dos preços do petróleo na economia, mas lembrou que o Brasil tem uma economia diversificada e, por isso, não será afetado com a crise do petróleo.

Levy não escapou das perguntas sobre a corrupção na Petrobras. Ele disse que outros países também passaram por crises semelhantes, mas não tem dúvidas de que a estatal vai superar as dificuldades.

O encontro contou com representantes de empresas como Marriott, Total, Novartis, UBS, BNP Paribas, Camargo Corrêa e Bradesco. A condução do debate foi feita pelo economista-chefe do Itaú, Ilan Goldfajn.