'WSJ': Grandes bancos podem precisar de mais nos cofres

Fed considera sobretaxar capitais dos maiores credores

“Ser um banco grande nem sempre é tão bom. O conselho de administração do Federal Reserve se encontrou na terça-feira para discutir uma proposta visando uma nova sobretaxa para os maiores bancos. Isso poderia  seu poder de ganho e futuros rendimentos de capitais a acionistas”, noticiou nesta segunda-feira (8/12) o Wall Street Journal.

 “Enquanto ainda não se conhecem os detalhes, disse o diretor do Federal Reserve, Daniel Tarullo, ao Comitê Bancário do Senado em setembro, a regra será uma versão mais rigorosa de uma sobretaxa desenvolvida por uma comissão de reguladores internacionais. Essa versão varia de um adicional de 1% a 3,5% de um capital que um banco deve deter como uma porcentagem de ativos ponderados pelo risco, dependendo de uma importância sistêmica do banco”, escreve o jornalista John Carney.

Ele prossegue: “Atualmente, não há bancos na faixa mais alta, de 3,5%; J.P. Morgan Chase & Co. é o único banco norte-americano na faixa de 2,5%. Citigroup Inc. está em 2%, enquanto Bank of America Corp., Goldman Sachs Group Inc. e Morgan Stanley estão todos em 1,5%.

Tarullo disse que as sobretaxas americanas serão mais altas e levarão em conta a dependência de cada banco em fundos de curto prazo. Esse último ponto é uma verdadeira novidade: requisitos de capital costumam se basear no lado do ativo do balanço do banco central. Nesse caso, a cobrança será relacionada a passivos, o que reflete a preocupação dos reguladores sobre a habilidade dos bancos de financiarem a si mesmos durante uma crise”.

"Em termos absolutos, J.P. Morgan, Bank of America e Citigroup empregam o financiamento de menor prazo. Mas o Fed pode aplicar a sobretaxa de total de passivos de curto prazo, que atingiriam mais severamente o Morgan Stanley e o Goldman.

Há alguns pontos positivos: a mudança deverá tornar o sistema financeiro mais seguro. E as reuniões de terça-feira vão possibilitar futuramente maior clareza acerca do ambiente regulatório, dando aos investidores uma ideia melhor sobre que tipos de rendimento dos capitais eles podem razoavelmente esperar. Alguns preveem que o impacto da nova regra pode ser de alguma forma aliviado, já que os bancos já empurraram níveis de capitais para acima dos mínimos oficiais para assegurar que eles podem passar pelos 'testes de esforço' do Fed"

“Mas os analistas do Goldman Sachs notam que o Fed pode acrescentar a sobretaxa a testes mínimos de esforço. Isso deverá significar que os níveis de capital terão que subir um por um com a sobretaxa. O Goldman estima que os bancos afetados, em média, vão precisar levar os capitais em até 14,9% dos ativos ponderados pelo risco.

O custo de ser grande vai se tornar maior”, conclui o artigo do Wall Street Journal.