Tumulto nas galerias adia votação de mudança na meta fiscal

A sessão do Congresso Nacional marcada para votar dois vetos presidenciais e a mudança na meta do superávit (PLN 36/14) foi encerrada nesta terça-feira depois de intenso tumulto entre policiais legislativos, parlamentares de oposição e manifestantes que estavam nas galerias do Plenário. A sessão será retomada nesta quarta-feira, às 10 horas, quando o governo tentará pela terceira vez votar o projeto que desobriga o cumprimento da meta fiscal atual.

A suspensão da sessão foi motivada pela interferência das galerias – com gritos, palmas e palavras de ordem contra o governo. A líder do PCdoB, deputada Jandira Feghali (RJ), exigiu que os manifestantes fossem expulsos depois que a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) foi chamada de “vagabunda”. “Numa sessão em que se debate política, não se admite que uma parlamentar seja chamada de vagabunda”, criticou.

O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros, ordenou a retirada dos manifestantes e denunciou a “partidarização” das galerias. Deputados da oposição, no entanto, fizeram escudo humano e impediram o esvaziamento do local. Houve empurra-empurra, e um manifestante disse ter sido atingido por uma arma de choque de um policial do Senado.

O clima de confronto durou cerca de 40 minutos e acabou impedindo o andamento da sessão. Renan marcou nova votação para quarta-feira, denunciando uma “obstrução única em 190 anos do Parlamento”. “Havia 26 pessoas partidariamente instrumentalizadas provocando o Congresso, tumultuando. Não dá pra trabalhar e conduzir uma sessão do Congresso desta maneira”, disse.

Conduta

A oposição cobrou de Renan mais diálogo para permitir que a população acompanhe a votação e cogita entrar com uma representação no Conselho de Ética do Senado contra o parlamentar. Já o governo avaliou que os oposicionistas incitaram a violência exatamente para adiar a votação da mudança na meta do superavit.

Para o líder da Minoria, deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), Renan deveria ter encontrado uma saída para permitir a manutenção dos populares na galeria. “Ele sequer se dispôs a dialogar com as galerias, como todo presidente do Congresso sempre fez. Estamos preocupados em preservar a democracia”, criticou.

O líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), não escondeu que o adiamento foi uma vitória. “É mais uma vitória do povo, querer retirar o povo é inaceitável”, disse.

O líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), disse que os parlamentares de oposição comandaram “um processo para inviabilizar a votação” porque não têm votos para derrubar a mudança na meta do superavit. “Foi um golpe à democracia”, afirmou.

Na avaliação do deputado Sibá Machado (AC), que é vice-líder do PT, a oposição está por trás do tumulto que levou ao adiamento da votação. “Eles transformaram a sessão em um jogo de vale-tudo. Jamais se viu isso aqui, se orientar o tumulto para os parlamentares fazerem disso uma obstrução”, criticou.

Impeachment

Os manifestantes que estavam na galeria pediram o impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Ela cometeu crime de responsabilidade [ao não cumprir a meta de superavit] e deve sofrer impeachment”, defendeu o advogado Mauro Scheer, que diz não ter filiação partidária.

Ele disse que os manifestantes não xingaram a senadora Vanessa Grazziotin. “Não dissemos ‘vagabunda’ e sim ‘vai pra Cuba’. Mas ela não escuta bem”, ironizou. Ele prometeu voltar nesta quarta-feira com mais colegas para criticar o governo.

A deputada Jandira Feghali assegura que a parlamentar foi xingada. “Não foi só vagabunda, tiveram duas palavras piores gritadas das galerias e todos levantaram ao mesmo tempo porque ouviram a mesma coisa”, disse.

Jandira afirmou que a sessão deve ser disputada no voto e não no grito das galerias.

Informações da Agência Câmara