'Reuters': Levy promete crescimento equilibrado e disciplina fiscal

A agência Reuters publicou nesta quinta-feira (27/11) um artigo onde repercute a escolha da nova equipe econômica brasileira. “O futuro ministro da Fazenda do Brasil, Joaquim Levy, prometeu cortar gastos e sanear as finanças do país, com o objetivo de reconstruir a confiança junto aos investidores depois de anos de crescimento fraco e políticas econômicas erráticas”, escreve Alonso Soto.

Em suas primeiras declarações públicas depois que a presidenta Dilma Rousseff anunciou sua indicação, Levy expôs metas fiscais mais realistas e prometeu um crescimento econômico mais equilibrado no segundo mandato de Dilma depois de sua reeleição no mês passado.

"Não estamos em um momento de crise, então é  importante lançar uma base para os próximos anos," Levy disse a repórteres, transmitindo confiança e fluência com um orçamento federal que ele formulou no Tesouro Nacional há uma década.

"Não temos pressa para anunciar medidas. Pretendemos reduzir gastos.  Não haverá pacote de medidas, não haverá grandes surpresas."

O índice BVSP da Bovespa  reverteu perdas quando Levy iniciou seus comentários, mas voltaram ao terreno negativo quando explicou que nenhuma medida imediata seria tomada.

“Levy ajudou o Brasil a ganhar um grau de investimento na classificação de crédito quando era o presidente do Tesouro Nacional entre 2003 e 2006, no início de um boom de uma década que transformou o país num potência no mercado emergente.

Desde que Dilma se tornou presidente em 2011, entretanto, seu governo de esquerda usou manobras contábeis e transferências de um fundo soberano para cumprir metas fiscais, corroendo sua credibilidade com investidores e agências de classificação de riscos”, escreve o jornalista da Reuters.

Levy sempre volta ao governo com a tarefa de restabelecer a disciplina fiscal e reerguer a economia.

"Atingir nossas metas será fundamental para aumentar a confiança na economia brasileira assim como  lançar os fundamentos visando recuperar o crescimento econômico" disse Levy aos repórteres.

“Levy tem a reputação de trabalhar com disciplina fiscal e foi um executivo do Banco Bradesco (BBDC4.SA) antes de ser indicado ministro da Fazenda. A expectativa é a de que ele reduza as onerosas medidas de estímulo mas poderá enfrentar resistência de dentro da ala mais à esquerda do governo, comprometida em proteger os gastos sociais.

Levy afirmou que tomará medidas para estimular a poupança privada, aumentar a produtividade e trazer equilíbrio para a economia, que sofreu três anos de crescimento medíocre e inflação alta, e caiu para a recessão no início deste ano.

Ele planeja trabalhar com o setor privado para expandir o investimento e aumentar o suprimento de bens produzidos no Brasil, uma mudança de foco que difere das políticas de crédito e consumo da última década que os economistas dizem ser um modelo que já chegou à exaustão”, prossegue o artigo da Reuters

“Seu sucesso vai depender muito de quanta liberdade Dilma lhe dará para ditar a política em seu segundo mandato.

Quando perguntado sobre quanta autonomia ele terá, Levy disse que a nova equipe econômica goza de total confiança de Dilma Rousseff.

Em sua mais clara ruptura com o ministro Guido Mantega, que está deixando o cargo, Levy prometeu uma mais modesta porém mais transparente meta de poupança do governo no ano que vem”, conta Alonso Soto.

O governo vai trabalhar com uma meta de superávit primário de 1,2% do PIB em 2015, abaixo de uma taxa anunciada antes, que ia de 2% a 2,5 %, disse Levy.

Em 2016 e 2017 a meta de superávit primário – receitas do governo menos gastos antes dos pagamentos da dívida – devem voltar para pelo menos 2% do PIB, ele disse.

O governo também anunciou a indicação de Nelson Barbosa, um ex-secretário de política econômica, como novo ministro do planejamento de Dilma, enquanto o presidente do Banco Central Alexandre Tombini, está mantido no cargo.

"Ainda não temos nenhum detalhe sobre o que eles estão planejando," disse Newton Rosa, economista-chefe na  SulAmerica Investimentos em Sao Paulo. "O mercado está primeiramente dando a Levy o benefício da dúvida. Quando detalharem as medidas que irão adotar, vão precisar mostrar consistência e realismo."