'FT': Preço recorde da farinha de peixe, pode afetar camarão e salmão

Pesca excessiva e mudanças climáticas contribuem para o aumento

O Financial Times publicou nesta terça-feira (18/11)  matéria que alerta para um provável aumento em um produto muito apreciado nas mesas dos restaurantes. “Os consumidores poderão em breve pagar mais caro por um prato de sushi, já que a farinha de peixe, alimento crucial na criação de camarões e salmões, atingiu o preço mais alto de todos os tempos”, escreve o jornalista Emiko Terazono.

O artigo relata que a commodity alcançou o preço recorde de US$ 2.400 a tonelada, devido ao aumento das temperaturas dos oceanos que levou a uma grande queda na pesca de anchovas no Peru, o maior exportador mundial. Os preços quadruplicaram na década passada, depois que o suprimento desses peixes foi afetado pelas mudanças climáticas e também pelo aumento da demanda.

"Aqueles que realmente precisam da farinha de peixe estão comprando tudo que o que está disponível", diz Enrico Bachis, analista-chefe da associação International Fishmeal and Fish Oil Organisation.

“O aumento dos custos da farinha de peixe ocorre no momento em que os preços dos frutos do mar atingem máximas históricas. Os preços do salmão e do camarão caíram em relação aos níveis recorde registrados este ano, mas os valores dessas espécies criadas em cativeiro e as disponíveis na natureza continuam altos por causa da crescente demanda e da menor produção decorrente de doenças e outros problemas relacionados à oferta.

Especialistas afirmam que a aquicultura continuará crescendo, apesar de o nível da pesca na natureza ter se estabilizado desde os anos 1980. O volume de peixes pescados na natureza poderá cair, já que a pesca excessiva continua reduzindo as populações de peixes, em uma tendência agravada pela poluição e as mudanças climáticas”, diz o artigo do Financial Times.

A FAO, braço da Organização das Nações Unidas para agricultura e alimentação, prevê que o consumo per capita de peixes de aquicultura crescerá 4,4% este ano em relação a 2013, para o total anual de 10,3 quilos, superando pela primeira vez o número equivalente de peixes capturados na natureza, que deverá diminuir 1,5%, para 9,7 kgs.

Nianjun Shen, funcionário da FAO em Roma, diz que a demanda da aquicultura e da pecuária pressionará a demanda por farinha de peixe. A indústria de alimentos para peixes aguarda novos dados do instituto marítimo do Peru, para saber se as autoridades peruanas darão um sinal verde para a pesca da anchova no litoral do país.

O aumento dos preços deverá intensificar o movimento de busca de substitutos. Rações vegetais, como a de soja, já substituem algumas das proteínas de peixe nas rações usadas na aquicultura. A ração de peixe e o óleo respondem hoje por menos de 25% da alimentação na aquicultura, número que era de 80% em 1990.

No entanto, a Marine Harvest, maior companhia de criação de salmão do mundo, sediada na Noruega, informa que substituir completamente a ração de peixe é "um grande desafio", devido aos níveis concentrados de proteína e aminoácidos existentes nessas rações. 

A indústria da nutrição animal ainda não encontrou um substituto para o óleo de peixe, que fornece o ácido graxo Ômega 3, tido como bom para o coração, embora pesquisas a respeito estejam em andamento. O Ômega 3 extraído das algas já é usado em pequena escala, enquanto outras companhias trabalham em uma variedade de soja que produz ácidos graxos”, conclui o artigo.