‘La Nación’: mais dólares para automotivas que investirem na Argentina

Governo prometeu transferir US$ 96 milhões às empresas para pagar importações

O jornal La Nación publicou nesta quinta-feira (13/11) uma matéria sobre uma ação do governo argentino para impulsionar o setor automotivo. “As empresas automotivas receberão seu presente de Natal. Mas não todas. Só aquelas que, a critério do governo, tenham feito os deveres de casa”, escreve Francisco Jueguen. “Depois de meses de tensão pela queda da produção e das vendas, suspensões de milhares de trabalhadores e denúncias presidenciais de "encanutar" os automóveis (fazer estoque para diminui r as vendas), o Executivo se comprometeu a entregar mais dólares para pagar importações aos fabricantes que estiverem investindo no país.

Para ser mais preciso, o governo argentino ofereceu oferecer a Toyota, General Motors, Honda, Mercedes-Benz e Ford US$ 96 milhões extras até o fim do ano para pagar suas peças importadas. Esse montante vai se somar à cota de US$ 25 milhões semanais que toda a indústria automotiva já lhe havia autorizado. Trata-se, segundo fontes do mercado, de um sinal de prêmios e castigos que as autoridades buscam enviar ao setor”.

O jornalista prossegue: “O compromisso verbal foi selado finalmente na terça-feira (11/11) em um encontro de cerca de 20 minutos que os presidentes dessas empresas automotivas mantiveram com o ministro da Economia, Axel Kicillof, e sua parceira de Indústria, Débora Giorgi, no salão Scalabrini Ortiz, no quinto andar do Palacio de Hacienda.

Nessa breve reunião foram repassados os investimentos que essas empresas anunciaram nas últimas semanas no país. Foi então que voltou à tona a discussão com Kicillof e Giorgi sobre a falta de divisas para importar autopeças, situação que atenta contra a produção nacional de veículos”.

“Os números do setor seguem sendo preocupantes. No mês passado, segundo a Associação de Fábricas de Automotores (Adefa), foram produzidos no país 60.845 veículos, 19,5% a menos do que no mesmo mês de 2013. Os patenteamentos, en tanto, sofreram no mesmo período uma queda de 40,4%, segundo a Associação de Concessionários de Automotores (Acara).

No encontro com as autoridades nacionais, os representantes do setor reclamaram o acesso a US$ 120 milhões a mais daqui até o fim do ano. Os ministros, segundo relataram fontes presentes no encontro, se comprometeram então a dar 80% dessa soma, o que significa um adicional de 96 milhões em divisas.

É que esse montante vai se somar à cota de US$ 25 milhões que o Governo autoriza semanalmente desde o final de setembro passado.

As indústrias automotivas acumulam uma dívida de mais de US$ 2000 milhões com seus fornecedores no exterior desde que o Banco Central parou de lhes vender divisas”, escreve Jueguen.

Nas empresas do setor foram constatados nos últimos dias alguns sinais positivos do governo que buscaram "descomprimir" a tensão dos últimos meses. "Vínhamos com muitos conflitos e nos últimos dias notamos uma certa aproximação", comentaram.

"Estas reuniões demonstram o contínuo trabalho conjunto que desenvolvemos entre o estado nacional e as companhias, porque temos uma permanente vocação de acompanhar o setor", destacou Giorgi. "Há aportes e esforços compartilhados, por isso é que apoiamos estes projetos que buscam dar consistência e sustentabilidade à indústria, a partir de um elevado grau de integração nacional na produção", destacou Kicillof em um comunicado,

“A General Motors desenvolve um plano de investimento de US$ 740 milhões para fabricar um novo modelo no país (o chamado "Projeto Fênix"), enquanto que a Toyota está ampliando sua planta na cidade de Zárate para seu novo modelo de Hilux. A Honda anunciou que produzirá o modelo SUV compacto HR-V. Ao mesmo tempo, Mercedes-Benz avança com a produção da Vito, uma van de médio porte. Por último, a Ford está investindo no desenvolvimento de fornecedores e no restyling de seus novos modelos de Focus e Ranger”, conclui o artigo do La Nación.