Clarín: Uma escassez perigosa nas reservas do BC argentino

Em reportagem, o jornal argentino Clarín chama a atenção para dívida da Argentina com o Banco Central. A dívida, que chega a 60 bilhões de dólares, é feita com credores privados, o que, segundo o Clarín, “tem sido o inverso da política de redução da dívida do governo Kirchner. E mais do que isso, será uma política financeira, sem custo para o governo e um grande custo para a Central”.

Segundo o jornal, o tesouro apresentou um ou mais títulos com mais de dez anos, que não podem ser negociados pelo Banco Central. Até o final do ano a dívida argentina acumulada corresponde a quase o dobro de reservas e 43% do total de ativos do Banco Central. Além disso, a previsão do orçamento argentino para 2015 – onde o governo poderá fazer a livros fechados – pode adicionar 11,9 bilhões de dólares a dívida, podendo chegar a 60 bilhões. Segundo o Clarín, a conta seria ainda maior, já que a Argentina precisa cumprir as obrigações que firmou com as organizações internacionais.

Para o jornal argentino “O saldo total significará uma deterioração enorme no patrimônio da maior instituição financeira do país: o Tesouro Nacional”. Alguns analistas acreditam que seria um problema caso o Banco Central excedesse o limite das reservas livres estabelecidas pela própria entidade. Segundo os analistas o BC corre o risco de sofrer algum processo jurídico caso não haja uma diminuição desses gastos. Além disso, o Clarín aponta o argumento de alguns especialistas que levantaram a questão de o chefe do Banco Central cede às investidas “se as ordens vierem de cima”.

O ministro da economia argentino, Axel Kicillof tem sido questionado sobre destino dos dólares não confiscados que o governo depositou e que deveriam chegar aos detentores de títulos, mas que acabam sendo bloqueados pela justiça norte-americana. Enquanto que para Kicillof a ideia seria usá-los para outros fins como emprestá-los para o tesouro, com o argumento de que se fossem mantidos perderiam o valor.

Sendo real ou não, o artigo do jornal argentino deixa claro que as ações de Kicillof e Fábrega não irão frear a pressão do câmbio. O dólar já subiu 60%, comparado a moeda argentina. Com isso, não há negócio para os importadores, certamente porque o custo é maior, o resultado seria apenas drenar moedas que não entram no Banco Central.

Segundo o Clarín, o horizonte começa a ficar complicado quando se fala das contas externas, incluindo a queda de 29% sofrida pelo preço da soja nos últimos doze meses. Para uma melhor compreensão: a indústria da soja representa mais de um terço de todas as exportações argentinas e uma queda de tal valor reduzido em cerca de 7 bilhões de dólares da colheita de 2014.

Com uma importância menor, o preço do milho caiu em 27% Entre janeiro e julho de 2014, as exportações de arroz chegaram a US $ 5.000 milhões de euros, 14% do total, e apenas US $ 2.000 milhões no mesmo período de 2015; a previsão é que tenha menos no próximo ano. “O problemas é que frente ao bloqueio e a incerteza dos estoques, as vendas para o exterior são maiores, se não, a única fonte de dinheiro”,  segundo o artigo do Clarín.

 “Por isso que cada dólar que o BC consegue reunir vale ouro”, explica o artigo. A decisão de forçar os exportadores a liquidar suas dívidas que antes retiam cerca de 2 bilhões, em hipóteses otimistas, ou 700 milhões, em hipóteses moderadas, a corrida para sancionar a Lei dos Hidrocarbonetos, ou a licitação do 4G para a telefonia argentina.

Segundo o jornal, não seria temeroso afirmar que o dólar está bem mais escasso e nem que se nada mudar as reservas do BC estarão sob pressão constante. É uma história familiar, principalmente para os especuladores que afirmas que o BC deveria ter reservas mais robustas. Embora Fábrega tenha feito exportações a conta-gotas, é necessário espremer as importações como nunca e fechas todas as brechas. O Banco Central já teve uma baixa de 2 bilhões de dólares esse ano, mas ainda pode chegar a 5 bilhões.

Segundo o Clarín, o que poderia mudar o cenário é a abertura de crédito internacional que seria um arrego para os fundos abutre, parecido com a decisão di Kicillof, no inicio de janeiro, que foi discutida com empresários importantes.

A questão é que o tempo corre. O diferencial entre o dólar oficial e a moeda argentina é de mais de 70% e chega aos mesmos níveis previstos em janeiro. Repitir essa experiência seria um remédio para várias razões contra-indicada, começando com a retomada da inflação, mas Kiciloff continuaria recebendo pesos para financiar os gastos públicos. O Paralelo 15, por exemplo, é uma medida do fenômeno, mas não há outra, mais poderoso ainda inverter: o peso e valor inferior a sete centavos.