Poupança é a preferida dos pequenos investidores

Renda fixa, no entanto, é a melhor opção para 2014

Bianca Richa, empresária de 27 anos, investe seu dinheiro em ações e no Certificado de Depósito Bancário (CDB). Se seu fundo é de renda fixa ou variável, ela não sabe. “Invisto só para que o dinheiro não fique parado enquanto não faço nada com ele, mas isso não quer dizer que eu entenda muito sobre o assunto”, brinca. Investir não é mais uma ação restrita a quem possui grandes quantias. Pessoas com o mesmo perfil de Bianca são cada vez mais comuns. Sem muita experiência, são pequenos investidores que pretendem poupar dinheiro de diversas formas diferentes.

A famosa poupança ainda é maioria entre pequenos investidores por ser conhecida, ter baixíssimo risco e um rendimento fixo. Em outubro, a captação da caderneta bateu recorde e superou R$ 50 bilhões no ano. Em muitos casos, a poupança é aberta pelos pais, quando a pessoa ainda é uma criança, e ela acaba mantendo o fundo depois de adulta. “Meu pai abriu uma pra mim e eu acabei gastando metade dela. Passei o que sobrou para uma conta nova e comecei a repor a quantia gasta em depósitos mensais. A partir do ano que vem, colocarei ainda mais”, conta Thaís Scazufka, estudante de Biologia de 23 anos.

No entanto, muitos escolhem a poupança por não conhecer direito as outras opções. “Meus clientes sempre perguntam ‘Gerente, o que você faria com esse dinheiro? ’ ou falam para aplicar em qualquer coisa de baixo risco. A poupança é boa como um primeiro investimento, mas rende muito pouco”, explica Sinara. Segundo ela, reservar um tempo para avaliar o mercado, acompanhar investimentos e perceber a rentabilidade de algumas outras opções de fundo são ações válidas. Sites como o da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) e o da Bovespa dão uma boa ideia de como começar. 

De acordo com ela, o primeiro passo é criar uma reserva de emergência que seja seis vezes maior do que o seu salário. Ou seja, se você ganha R$ 1 mil, sua reserva deve ser de R$ 6 mil. “Construir essa reserva é fundamental porque, caso perca o emprego, por exemplo, você tem seis meses para se recolocar. Se tiver dificuldade em começá-la, aproveite o 13º salário e coloque, por exemplo, R$ 1 mil na poupança e deixe acumular. Depois de um tempo, é o momento de migrar para um fundo de renda fixa com rendimento maior”, aconselha.

O editor do blog “O Pequeno Investidor”, Fábio Portela, concorda que a dedicação ao estudo do mercado é importante para, no futuro, fazer um rodízio de investimentos com a renda. Segundo ele, essa é a melhor forma de obter lucros.  “As pessoas se preocupam demais em encontrar o melhor investimento, e pulam de ações pra renda fixa, da renda fixa pra imóveis, dos imóveis de volta pra renda fixa... mas pagam tanto em taxas e impostos pra isso que acabam perdendo dinheiro. O ideal é manter uma carteira diversificada. Investir pelo menos um pouco em renda fixa e um pouco em ações” conta. 

Shirley Costa, gerente do Banco do Brasil, segue o conselho à risca. Investir em fundos variados é a sua principal aposta para garantir um dinheiro extra no final do mês, além dos investimentos programados em longo prazo. “Eu tenho tudo. Ações, CDB, poupança e Tesouro Direto. Invisto em diferentes modalidades porque acho interessante diversificar as aplicações e aproveitar o que há de melhor em cada um deles. Gosto de aplicar em ações, mas limito esse tipo a no máximo 30% dos meus investimentos. A maior parte está em aplicações conservadoras”, explica. Segundo ela, dividir o dinheiro em diversas modalidades dá segurança, já que sempre há rendimento em algum lugar na hora do aperto.

O mercado de ações é visto com estranhamento por muitos investidores principiantes que acham as transações bastante complexas. No entanto, segundo Fábio, não há o que temer. O maior problema é a quantia inicial a ser investida. “Comprar as ações pode acabar tornando os custos meio caros, mas, com boa vontade, é possível encontrar corretoras que cobram taxas de custódia e de corretagem mais baixas”, explica. Ele conta que o receio é normal; basta ter em mente que esse mercado é volátil e uma queda não significa perda total. “Os preços das ações sobem e descem, é típico delas. Em 2006, logo que comecei a investir, houve uma pequena queda no mercado de ações. Me assustei e saí do mercado pra estudar mais antes de voltar. Voltei em maio de 2008, na maior queda em anos. No entanto, fiquei tranquilo, porque havia estudado e sabia que aquilo ia passar. A cada queda, eu comprava mais ações. Não me arrependi”, relembra. 

Sinara não concorda com Fábio. Para ela, o ano que vem será difícil para a economia e o melhor é investir em ativos de renda fixa, onde o rendimento é certo. “A perspectiva para o ano que vem não é muito boa. Será um momento de alta nos juros, onde ativos de risco tender a sofrer mais oscilações. Além disso, a inflação ainda está bem alta e a economia não deve crescer muito”, aponta.

Segundo a gerente de Investimentos do Santander, o Certificado de Depósito Bancário (CDB) pode ser uma boa opção para quem quer ir além da poupança sem se arriscar muito. Os títulos são emitidos pelos bancos e vendidos ao público como forma de captar recursos. “Nos programas do CDB, quanto mais tempo você deixar o dinheiro lá, mais vai ganhar. A partir do terceiro ano, se atinge 100% do CDI. Com os juros em alta, ele terá mais rendimento”, explica. A sigla CDI significa Certificado de Depósito Interbancário e funciona também como uma forma de captar recursos, porém restrita aos bancos. A taxa CDI acompanha a taxa Selic, que dita os juros no país. Portanto, um fundo CDB que atinge 100% do CDI renderá, para o investidor, praticamente a mesma coisa que a taxa de juros naquele momento.

*Do programa de estágio do Jornal do Brasil